Velocidade na escorregadia e íngreme trilha. Árvores, folhas e galhos passam zunindo. A luz entrecortada do sol faz do downhill (descida) uma alucinante corrida. As imagens passam pela mente do piloto quadro-a-quadro, acendem e apagam num ritmo louco e acelerado... Esquivando-se de pedras, engolindo buracos, o maluco ciclista sabe que está a poucos instantes do maior obstáculo da prova: o Salto da Pedra. Vuff!!! A bike voa longe! Nove metros de distância, viajando num desnível de três metros... Radical! O desafio fica para o pouso. Manter o equilíbrio e estabilidade no duro impacto com a apertada trilha. Em um instante o atleta some, apenas ouve-se o constante trepidar de suas rodas, suspensões e tripas... rumo a íngreme descida na mata fechada.
Cá estamos, em Três Coroas, pequena cidade encravada na Serra Gaúcha (a 100 km de Porto Alegre), exatamente na trilha do Parque das Laranjeiras, estupefatos com a incrível performance dos mountain bikers, Júnior (Valdir Vargas), 27, e Fussa (Anderson Furlanetto), 15. Esta trilha tem mil metros de extensão é de altíssimo nível técnico – na tradicional escala de 0 a 8, ela ocupa a casa 6; só perde pelo comprimento: deveria ter mais de dois mil metros para alcançar o nível máximo.
Dividida em duas seções, já que é cortada por uma estrada de terra, esta para carros, o sinuoso caminho recebe sua estréia para o Campeonato Gaúcho de Downhill, que se realizará ainda neste mês. Com facões, enxadas e machados, os ciclistas abriram caminho para as bikes, numa área previamente aprovada pelas autoridades municipais, e marcaram o cenário para uma dos circuitos mais disputados do país. A expectativa é que se apresentem em torno de 80 atletas de todo Rio Grande do Sul.
Cuidados com a radical trilha
Logo no início, o drop (pequena descida acentuada) irregular, cheio de pedras, que termina com uma fechada curva para a esquerda, é uma prévia do que está por vir... Segue uma descida mais lisa; quero dizer, sem pedras, mas super escorregadia, devido a grande umidade e sombreamento na floresta: ‘‘Por isto, indicamos o uso de pneus para pista molhada, com garras altas e composto macio, é mais aderente’’, explica Junior.
Cem metros abaixo, após vencer um pequeno degrau numa área de clareira, com lindo visual para o vale, chega a vez do Drop da Árvore, na qual o competidor passa entre dois troncos e experimenta a difícil descida em curva – são várias as ‘vacas’... Depois, a trilha é menos pedreira, é quando o ciclista ganha velocidade para enfrentar o Salto da Pedra, um longo vôo que os capacetes chegam rente às copas das árvores. Haja confiança para manter a calma na hora do pouso... A mil eles seguem em direção ao Drop da Estrada, quando finalizam a primeira seção e mergulham para a seguinte com um bom salto na rampa de entrada. Aqui, algumas poças d’água apimentam a corrida: água, lama, pedras espirrando para todos os lados! Em certas curvas, a velocidade é tanta que o atleta é obrigado a sustentar a bike apoiando o pé no chão, derrapando e zigue-zagueando trilha abaixo... A rampa da vala proporciona altos saltos, fica na saída da floresta, pertinho da linha de chegada, onde após passar por mais um pequeno trecho de mata, um rampão gigante manda para longe as bicicletas...

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