Belo Horizonte, 02 (AE) - Graves denúncias de corrupção na Administração dos Estádios de Minas Gerais (Ademg), estatal responsável pelo Mineirão e pelo ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, provocaram a demissão do presidente do órgão, Isnard Gautério, e de três diretores. Os executivos, cuja atuação está sendo investigada por uma sindicância da Secretaria Estadual de Esportes e pelo Ministério Público, entregaram os cargos ao governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), na quarta-feira.
Itamar aceitou os pedidos de dispensa hoje e ficou de nomear novos dirigentes. As denúncias de irregularidades na Ademg surgiram ainda no primeiro semestre. Um dossiê, elaborado por ex-funcionários do órgão e entregue a deputados mineiros, sustentava que a direção da Ademg criou pelo menos duas empresas-fantasmas para participar de licitações. As empresas, com endereços falsos, participavam das concorrências apenas para "legitimar" a vitória de prestadores de serviço previamente escolhidos.
Uma das vencedoras, que teria recebido R$ 23,6 milhões por obra a ser realizada no Mineirão - e não executada -, teria sido a Conservadora Lumina, de propriedade de parentes de Cláudio Fernandes Fonseca, ex-servidor da Ademg. Ouvido pela sindicância, Fonseca alegou ter sido "induzido" pelo presidente Isnard Gautério e pelo ex-diretor Alípio Godoy a convencer os parentes a abrir a empresa.
Os dirigentes da estatal também são investigados por outras irregularidades, como venda irregular de ingressos e desvio de verbas apuradas com o estacionamento e com o aluguel de bares do estádio. Nenhum deles foi contrado para comentar as denúncias. Segundo a assessoria de governador, as acusações dos ex-funcionários da Ademg, entre eles Geraldo Brito, que diz ter recebido ameaça anônima de morte após a divulgação do dossiê, foram confirmadas por levantamento do auditor-geral do Estado, desembargador Ayrton Maia.

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