Administrador foi pioneiro e convidou amigos
O administrador de empresas Mário Diniz de Oliveira, 32 anos, foi o pioneiro do projeto com paraatletas na UEL. Em fevereiro de 2006 comprou uma cadeira de rodas de corrida e começou a experimentar locais da cidade onde pudesse andar como se fosse uma pista. ''Não deu certo. O asfalto do Zerão estava esburacado e nas ruas era perigoso, por causa dos carros'', lembra ele.
Oliveira foi então até à UEL, onde o trânsito tranquilo facilitaria o treino nas ruas. Lá conheceu a professora Rosângela Busto e ela o colocou em contato com o técnico de atletismo José Eugênio Zaninelli, que o convidou para integrar a equipe local. A vantagem foi que enfim o paraatleta encontrou um local ideal e plano para treinar velocidade: a pista de atletismo da universidade.
Oliveira passou então a ter o acompanhamento de um estagiário do curso de Ciência do Esporte, que aplicava os treinos repassados por Zaninelli. ''Como vi que deu certo, passei a convidar colegas cadeirantes a virem treinar na UEL. E como o projeto contempla outros esportes, sempre haverá um com o qual a pessoa se identifique mais'', afirma. Ele se orgulha de ter motivado a maioria dos 16 integrantes do grupo a iniciarem os treinos.
Como todo deficiente enfrenta mais desafios que as pessoas comuns, com Oliveira não foi diferente. Logo que foi aceito na equipe de atletismo, viu que tinha dois obstáculos pela frente para descer diariamente até a pista: as longas escadas do Centro de Educação Física. ''Batalhei então para que fossem construídas duas rampas para que os estudantes não precisassem sempre me carregar. Como não havia recurso na UEL, corri atrás de doação de materiais de construção e as empresas ajudaram'', conta. Cada rampa foi orçada em R$ 19 mil e a primeira será entregue dentro de uma semana.
A luta agora será para o grupo tentar ganhar cadeiras especiais, que custam aproximadamente R$ 1,5 mil cada. ''Se conseguirmos, não vamos parar por aí, pois nosso desejo é termos ainda este ano um departamento de esporte adaptado na UEL, com vários materiais para que qualquer cadeirante da cidade possa vir até a universiadade treinar e se divertir'', motiva-se Oliveira.
Seu pensamento é que haja neste local dez cadeiras adaptadas para basquete, duas para tênis, três para corrida, duas para lançamento (de dardo, peso e disco), além de cronômetro e balança especial para cadeirantes. ''O esporte é uma das melhores formas de inclusão para nós. E melhora a saúde em todos os aspectos'', testemunha. (J.K.)





