Ele nunca aparece no noticiário do Londrina, fica sempre esquecido, no anonimato, mas seu trabalho é fundamental para o clube. Edson Henrique dos Santos, administrador do Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), é o alicerce e grande responsável pelo funcionamento do Tubarão.
Dos 53 anos de idade, Santos dedicou 18 deles ao Londrina. Além de cuidar do estádio, ele dá sozinho todo o suporte logístico ao clube.
Santos corta a grama do VGD, demarca as linhas do gramado, cuida da limpeza das arquibancadas, banheiros, é responsável pelas compras de material de limpeza e comida e cuida de toda a infra-estrutura que abriga 50 atletas de várias categorias que moram no VGD. ''Chego aqui às 7 horas e vou embora só lá pelas 21 horas. Todo dia é assim. Não tenho sábado, domingo, feriado'', contou o ''faz-tudo'', que já foi administrador da sede campestre e do VGD, gerente, motorista do time e de ambulância.
Ao VGD, ele chegou em 1989, quando o estádio passou por uma remodelação. ''Moravam índios e mendigos aqui embaixo. Tivemos que arrumar passagens para esse povo, levamos os índios para a Funai. Recebi ameaças de morte e depois coloquei o cara para trabalhar na reforma. São tantas histórias dessa época'', rememorou.
Nestes anos todos, Santos também passou por alguns fatos tristes, mas o que mais marcou é bem recente. ''A minha maior tristeza foi ver o time sair da Série B (do Campeonato Brasileiro) e chegar nessa posição que está hoje. Quando está assim, todo mundo some'', afirmou.
Apesar de tanto amor, ele confessou que às vezes pensa em mudar de vida. ''Tem dia que dá vontade de largar tudo. Fico nervoso, mas vejo os meninos e tudo isso acaba passando'', contou. ''Nunca me imaginei longe disso aqui''.
Santos disse que é mais difícil administrar os problemas financeiros do clube do que toda a sua estrutura. ''O bom navegador é o que navega com o mar bravo''.
Santos contou que o Londrina implantou um poço artesiano para evitar os constantes cortes de água, que ocorriam anteriormente. ''Quase sempre era assim, a gente precisava ligar, implorar para que religassem a água em dia de jogo e depois eles cortavam'', explicou.
O administrador é admirado pelos garotos que jogam e moram no clube e pelos colegas de trabalho. ''Ele não joga, mas se o Londrina ficar sem ele não sobrevive'', apontou o supervisor das categorias de base, Lívio Vieira, que ajuda o amigo nas tarefas do dia-a-dia. ''Essas pessoas não têm preço para o Londrina. É uma família e faz parte desse nosso novo projeto. O Edson e o Lívio sempre serão nossos escudos-protetores do VGD'', disse o presidente Peter Silva.

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