Administração da Arena provoca crítica
Fernando Tupan
De Curitiba
Demorou 18 meses para que a Arena da Baixada deixasse de ser um sonho e tornasse realidade. Aproximadamente sete mil atleticanos apoiaram a iniciativa da diretoria e uniram-se para adquirir pacotes de ingressos para todos os jogos do Campeonato Brasileiro, cadeiras vitalícias ou por um, dois e meio ou cinco anos, e camarotes. Mas três meses depois da inauguração, há muitos torcedores decepcionados.
Os torcedores estão insatisfeitos com o sistema de entrega de ingressos. Sócios-construtores reclamam da falta de critérios na distribuição de cadeiras e de uma taxa de manutenção mensal de R$ 25. Muitos colaboradores do Atlético Total se sentiram enganados porque foi prometido uma coisa e entregue outra.
Aos usuários de cadeira do Estádio Joaquim Américo foi enviado um comunicado alertando que os sócios inadimplentes com a taxa de conservação não receberão os ingressos de acesso para as partidas.
Dado Guimarães, bisneto de Joaquim Américo (fundador do Internacional, um dos clubes que deram origem ao Atlético e doador da área onde está construída a Baixada), achou estranho o que a diretoria do Rubro-Negro vem fazendo. Cobraram a cadeira, temos que comprar os carnês, agora precisamos desembolsar mais R$ 25, de taxa de manutenção e não temos local numerado. Isso demonstra que não há vantagem nenhuma por colaborar com o Atlético.
Ao comprar o título de sócio-ouro, esperava ter um lugar privilegiado no estádio. Para sua decepção, quando entrou no setor das cadeiras na primeira partida na Arena, contra o Flamengo, uma hora e meia antes do jogo, não encontrou nenhum bom lugar e se obrigou a assistiu ao jogo longe de seu pai, também sócio-ouro.
Mário Baena adquiriu o pacote promocional CAP. Pagou R$ 140, e lhe prometeram um carnê com todos os ingressos do Campeonato Brasileiro. Em todo santo jogo, tenho que ir até a Baixada, entrar numa fila para carimbar o recibo. Somente então recebo o ingresso, desabafa.
Mas a insatisfação não é geral. Os lojistas gostaram das mudanças ocorridas na administração, especialmente a troca da Votoragui pelo próprio Atlético. Com o Atlético administrando melhorou muito. A gente está sentindo mais honestidade, falou um lojista que pediu para não ser identificado.
Na época da inauguração, a Remix, a primeira administradora, impôs algumas condições sob a justificativa de que eram exigências do clube. A reclamação derrubou a empresa, substituída pela Votoragui. Agora, só estamos apreensivos com o condomínio. Nesse período de três meses pagamos aproximadamente R$ 300,00 de água, luz e gás, finalizou o lojista, que gastou aproximadamente R$ 50 mil para inaugurar o seu ponto.
O diretor de Marketing do Atlético, Mauro Holzmann, disse que a finalidade da taxa de manutenção não deve ser analisada sob esse prisma. Os sócios-construtores estão dando uma contribuição para manter as excelentes instalações da Baixada, argumentou, acrescentando que há inadimplência, mas não revelou quantos são.





