Arquibancadas povoadas. Torcida vibrando orgulhosa. O rival sendo derrubado. Técnico chorando de alegria. Jogadores sendo exaltados. Esses fatos só eram vistos em imagens de arquivo quando o assunto é o basquete londrinense. Porém, eles voltaram à cena na última semana, com duas vitórias brilhantes da ADL/Sercomtel/FEL no Novo Basquete Brasil (NBB).
Primeiro um triunfo improvável sobre o forte time do São José/Unimed/Vinac. Improvável por causa da apresentação ruim em Joinville, na abertura do NBB, da ameaça de greve por causa do atraso salarial e das trapalhadas administrativas cometidas pela diretoria, como a perda do prazo de inscrição do ala Rodrigo Santana, o Ratinho.
Depois, veio a ainda mais improvável e dramática vitória sobre o Flamengo, na sexta-feira passada, por 86 a 84, na prorrogação. A vitória trouxe a confirmação de que o torcedor está de volta, vibrante, participando do jogo e empurrando a equipe londrinense para cima dos adversários.
As duas vitórias colocaram o time numa situação muito boa no NBB. Com 66,67% de aproveitamento (duas vitórias e uma derrota), a equipe londrinense é a quarta colocada no torneio.
A torcida foi tão importante nesses dois jogos que arrancou lágrimas do sempre sério técnico Ênio Vecchi. Ele não conteve a emoção após as partidas, relembrando a época boa do basquete local. ''A gente tem uma história de grandes jogos aqui e sentir essa vibração do torcedor de novo, com o time tendo uma postura diferente, é bom. Além de relembrar aqueles jogos, vemos o presente de grande emoção, com o torcedor voltando, até antes do que esperávamos. Esse apoio causa a emoção'', afirmou o treinador.
A emoção não foi privilégio do treinador. Rodado, Ratinho é o jogador mais experiente da equipe, com 33 anos, porém, também ficou tocado. ''A gente fica bastante emocionado em ver o Moringão cheio e reviver os bons tempos'', afirmou o ala.
Dinheiro curto
A boa fase do time é também a aposta de que a condição financeira da equipe vai melhorar. O orçamento da ADL é um dos menores da NBB. ''Essas vitórias foram muito boas para a equipe, para a cidade e para o projeto da associação. Todos estão vendo como é o time, o talento. Até para os empresários é bom. Eles querem ver o produto para depois comprar'', afirmou, esperançoso, Ratinho.
Vecchi segue o raciocínio, mas cobra mais incisivamente o apoio da cidade. ''Foram resultados significativos, que nos dão uma boa expectativa do que se pode produzir em quadra. Mas não pode deixar acomodar. Precisamos de reforços, de parcerias, de investimentos. O time ainda está se estruturando'', cobrou.
Com pouco dinheiro em caixa, o jeito foi montar uma equipe modesta, com jogadores novos e uma peça ou outra mais experiente para dar sustentação. Boa parte do elenco é formada por jogadores londrinenses, que saíram dos times de base locais. ''Tem eu, o Fernando (Mineiro), o Guilherme, que procuramos ajudar os mais novos. Eles têm talento, físico desenvolvido, precisam apenas desenvolver a técnica, a visão de jogo'', afirmou Ratinho.
A equipe ainda precisa contratar um ala, um armador e um pivô. Porém, não há dinheiro em caixa para isso. A contratação do ala Thiago, do Santo André, por exemplo, esbarrou em uma bolsa de estudo universitária.

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