ADL promete pagar parte dos salários
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Parte do drama do elenco e da comissão técnica do Campos do Conde/Sercomtel/Londrina deve acabar hoje. A diretoria da Associação Desportiva Londrinense (ADL), que gere a equipe, espera receber a cota de patrocínio do mês da incorporadora Conde, no valor de R$ 20 mil, para saldar parte da dívida com os atletas.
O presidente da ADL, Paulo Chanan, prometeu priorizar os pagamentos com esta verba, que deve ser a única a entrar no caixa do clube nos próximos dias, uma vez que o imbróglio com a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), deve perdurar por um bom tempo.
A entidade questiona a prestação de contas do clube, referente aos fins levados pelo dinheiro referente ao Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe), de 2009. Por conta disso, as cotas de R$ 21 mil referentes ao convênio de 2010 estão bloqueadas.
Após Chanan declarar publicamente que a entidade estaria o prejudicando propositalmente em prol de uma outra associação a ser criada e por isso não havia aprovado os balanços, a FEL decidiu enviar o caso à Controladoria do Município, que deve, segundo o responsável pelo órgão, Luís Nicácio, demorar cerca de duas semanas para dar o parecer final sobre o caso. Chanan afirmou ter enviado os esclarecimentos sobre os questionamentos na última segunda-feira à entidade.
Para piorar, o ex-atleta do clube, Célio Guergoleto, acionou a Sercomtel, uma das patrocinadoras, na justiça, cobrando salários atrasados. A telefônica antecipava, a pedido do clube, os pagamentos para o começo do mês e decidiu segurá-los momentaneamente até que ouça do presidente da ADL as explicações sobre os dois casos. ''Estamos felizes com o basquete. Suspendemos as antecipações para conversar com o Chanan e esclarecer esses fatos'', disse o diretor de marketing da Sercomtel, Roberto Coutinho Mendes.
''Estive com o Barbosa (Neto, prefeito), em Brasília ontem, (quarta-feira) e e pedi a ele que intervenha. O único jeito de pagarmos os atletas e as outras contas que estão abertas é com o dinheiro dos patrocinadores'', afirmou Chanan.
Situação crítica
Enquanto isso, os atletas tentam se virar como podem para superar a falta de pagamentos que já dura cinco meses. ''As contas eu não estou pagando. Se não fosse a ajuda dos meus pais, dos meus sogros, eu não estaria tendo o que comer também. Minha esposa trabalha, mas temos que pagar aluguel, condomínio, plano de saúde'', protestou o ala Guilherme Filipin, principal jogador do time no Novo Basquete Brasil (NBB), pai da pequena Ana Luiza, de apenas um ano e meio. Ele tinha um salário de R$ 3 mil mensais e seu contrato termina hoje. Pelas suas contas, tem cerca de R$ 20 mil em atrasados para receber. ''Ninguém me ligou para falar se iam pagar ou não e nem para me dispensar'', contou.
O ala Rodrigo Santana também está recebendo ajuda para tocar a vida. ''Não ligam, não dispensaram ninguém. Estamos tentando na conversa, mas não está adiantando. O jeito vai ser procurar a justiça mesmo'', afirmou o experiente jogador.
O técnico Ênio Vecchi também está desesperado. Ele foi o único a ser comunicado que estava demitido, mas acredita que será o último a receber, se receber. ''A escola dos meus filhos está atrasada, o plano de saúde também, sem contar as outras dívidas e todo mundo está nessa situação. Alguém precisa fazer alguma coisa. Todo mundo trabalhou e tem o direito de receber'', afirmou, em tom indignado, o ex-treinador da ADL.


