ADIÓS, ESPANA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Marco Justo Losso<br>Agência Estado 
São Paulo - A Espanha definitivamente não tem boa relação com o Maracanã. Há um ano, a seleção campeã mundial perdeu para o Brasil por 3 a 0 na final da Copa das Confederações. Nesta quarta-feira, o time de Vicente Del Bosque foi eliminado precocemente da Copa do Mundo pelo Chile ao perder por 2 a 0, sofrendo o seu 'Maracanazo'.
Com o resultado, o Chile garantiu a sua classificação antecipada e também a da Holanda, que havia vencido a Austrália por 3 a 2, pelo Grupo B. Os dois definem em duelo, na segunda-feira, no Itaquerão, o primeiro lugar da chave. A Holanda joga pelo empate.
A equipe de Del Bosque, que se juntou a Itália (1950), Brasil (1966), França (2002) e Itália (2010) ao sair na primeira fase, é a primeira campeã mundial na história a ser eliminada nos dois primeiros jogos da competição. Apenas a campeã mundial Itália, em 1950, também no Brasil, jogou sua última partida na fase de grupos já eliminada.
Na ocasião, os italianos perderam da Suécia na estreia e viram os suecos empatarem com o Paraguai na segunda rodada. Como era um grupo de apenas três equipes, quando a Itália, campeã mundial em 1934 e 1938, encarou o Paraguai no último duelo da chave, a equipe europeia já estava eliminada. Mas desde que a Copa começou com grupos de quatro times, a Espanha é a primeira a ser eliminada nas duas primeiras partidas.
EMOÇÃO
Com a torcida chilena entoando o hino chileno à capela, a partida começou com os jogadores sul-americanos emocionados com a demonstração vinda das arquibancadas do Maracanã, como já tinha acontecido em Cuiabá, na estreia vitoriosa contra a Austrália. E o time correspondeu, com dois lances de perigo contra a Espanha. Em jogada rápida pela esquerda com Mena, Vargas demorou para concluir e Javi Martínez, que entrava no lugar de Piqué, tirou para escanteio. Na cobrança, Jara cabeceou e a bola passou raspando a trave de Casillas.
Apesar da pressão inicial, a Espanha conseguiu equilibrar o duelo e, aos 15, o time de Del Bosque quase abriu o marcador. Diego Costa recebeu na entrada da área, chutou cruzado e, na sobra, Iniesta tocou para Xabi Alonso, que carimbou o goleiro Bravo, saindo de forma arrojada. Na sobra, o juiz apitou impedimento do meia espanhol.
Mas aos 19, o Chile fez o Maracanã explodir com uma jogada bem trabalhada, desde a recuperação de bola com Alexis Sánchez até a conclusão final de Vargas. Sánchez ligou rápido o ataque com Aranguiz, que se livrou da marcação da zaga. O meia foi rápido demais e tocou entre as pernas de Sérgio Ramos para encontrar Vargas livre na área. O atacante driblou Casillas, o que está virando um hábito nesta Copa, e completou para o gol vazio.
O confronto ganhava ares de drama quando o time espanhol não conseguia imprimir um ritmo mais rápido à partida e via o Chile marcar bem todas as tentativas de ataque. E o sinal de que os chilenos dominavam a partida veio aos 43 minutos, quando em falta bem cobrada por Sánchez, Casillas rebateu errado para o meio da área. No rebote, Aranguiz de 'bico' ampliou para os chilenos. O 'Maracanazo' espanhol estava bem próximo.
Na volta do intervalo, a equipe chilena manteve a mesma intensidade na marcação e na saída de bola, o que faltava aos espanhóis, que vieram para a etapa complementar com Koke, do Atlético de Madrid, no lugar de um apagado Xabi Alonso.
Com uma grande atuação do goleiro Bravo, o Chile soube controlar a bola e mandou a atual campeã do mundo para casa mais cedo. Agora, o Chile encara a Holanda brigando pela liderança no Itaquerão, segunda-feira, às 13 horas, e a Espanha cumpre tabela contra a Austrália, também na segunda, no mesmo horário, na Arena da Baixada, em Curitiba.
NO RIO DE JANEIRO
ESPANHA 0
Casillas; Azpilicueta, Javi Martínez, Sérgio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso (Koke) e Iniesta; Pedro (Cazorla), Diego Costa (Fernando Torres) e Davi Silva. Técnico: Vicente Del Bosque
CHILE 2
Bravo; Jara, Medel e Francisco Silva; Isla, Vidal (Carmona), Díaz, Mena e Aranguiz (Gutiérrez); Vargas (Valdivia) e Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli
ÁRBITRO: Mark Geiger (Estados Unidos)
ESTÁDIO: Maracanã
GOLS: Vargas, aos 19, e Aranguiz, aos 43 minutos do 1º tempo
PÚBLICO: 74.101 pessoas


