Adhemar Ferreira recebe honrarias
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
Depois de garantir duas medalhas de ouro, na Olimpíada de Helsinque na Finlândia (52) e em Melbourne, na Austrália (56), Adhemar Ferreira da Silva volta a participar de uma Olimpíada. Convidado de honra do Comitê Olímpico Brasileiro, foi recepcionado no Aeroporto com todas as glórias de campeão.
Logo na chegada, uma senhora loura, com flores na mão. Era Rosemeire Mula, uma amiga que fez na Olimpíada de Melborne, há 44 anos. Ela era uma das colegiais que estavam do outro lado do alambrado, quando ele estava tentando a sua segunda medalha olímpica. Quando eu ia saltar, ela e seus amiguinhos pediam silêncio para o resto do público para que eu não me desconcentrasse. Antes mesmo do juiz apontar a marca, eles já estavam me aplaudindo, recorda. Estar aqui hoje e ficar hospedado na casa dela e do marido, significa que plantei para o futuro e fiz amigos. Pessoas que só pensam no presente não podem ter a alegria que estou tendo hoje, diz, emocionado.
Em Sydney, Adhemar pode ver a sua história se repetir. Mais três atletas brasileiros Sandra, no vôlei de praia; Torben Grael e Robert Scheidt, no iatismo têm chances de igualar a marca de duas medalhas de ouro alcançadas por ele. Eles precisam de muita sorte, porque já é difícil participar dos Jogos Olímpicos. Ganhar uma medalha é mais difícil ainda e, para ganhar uma segunda vez é preciso que Deus esteja com eles naquele instante, como esteve comigo, e que todos os orixás estejam de serviço, disse o ex-atleta, que torce para que isso aconteça o mais rápido possível. Precisamos mostrar que podemos. Para um país que tem 160 milhões de habitantes, temos pouquíssimas medalhas.


