Adenízia: Quero mostrar que tem o caminho do bem também
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domingo, 12 de dezembro de 2010
Paulo Favero<br> Agência Estado 
Osasco - A boa fase da meio de rede Adenízia, do Sollys/Osasco, é o trunfo para a equipe na disputa do Campeonato Mundial de Clubes, que será realizado a partir de terça, no Catar Em busca de um título inédito, a jogadora de vôlei já pode ser considerada vencedora em sua carreira, apesar de estar apenas com 23 anos Ela perdeu os pais muito cedo e quer usar o esporte para dar exemplo aos mais necessitados
''Espero deixar uma coisa boa, muito sorriso para o povo brasileiro Quero deixar uma mensagem para os adolescentes, principalmente para aqueles que perdem cedo a família e acham que só existe o caminho do mau para seguir Quero mostrar que tem o caminho do bem também'', diz, tentando se controlar para não se emocionar Chorou
Realmente, quando ela começa a contar sobre sua vida, é de cortar o coração O pai abandonou a casa pouco antes da menina nascer ''Meu pai foi embora durante a gravidez da minha mãe Não o conheço, não sei quem é e acho que não estou preparada para isso'', confessa
Nascida em Ibiaí, no norte mineiro, ela ainda era um bebê quando teve mais uma perda na família ''Minha mãe morreu muito cedo, quando eu tinha apenas um ano e oito meses Ela estava doente e deixou tudo encaminhado para uma família me adotar'', conta a garota, que tem quatro irmãos e duas irmãs por parte da nova família
Apesar das dificuldades da vida, Adenízia contou com a sorte de ter uma boa estatura Aos 11 anos, já tinha 1,78m e chamava a atenção nas quadras da cidade ''Eu comecei a jogar em Governador Valadares, em um clube chamado Filadélfia Estava querendo fazer algo depois da escola, não tinha muita pretensão em nada'', lembra
Aí ela recebeu um convite para jogar no Espírito Santo ''Imagina uma menina de 11 anos morando sozinha? Minha família ficou meio tensa, mas me deixou ir e acabou dando tudo certo'' Depois, ela foi para o BCN Joinville, em Santa Catarina, e em seguida, chamada para o BCN Osasco ''Eu estudava e jogava Era alta, uma promessa''
Os estudos sempre fizeram parte da vida da atleta Ela nunca largou a escola e só foi abandonar a faculdade de psicologia quando não dava mais para conciliar com a vida de jogadora profissional de vôlei ''Mas um dia pretendo retomar'', garante
Adenízia sonha em voltar do Oriente Médio com a medalha de ouro no peito Quer mostrar para a família que a adotou com tanto carinho que todo esforço valeu a pena Ainda mais perto do seu aniversário - dia 18 ela fará 24 anos ''Estarei no Catar e o título seria excelente presente''


