O atacante Kamali terá que esperar um pouco mais para jogar no time principal do Atlético. Nas últimas partidas pelo Paranaense, utilizadas pelo técnico Geninho para realizar testes na equipe, o nome do jogador não apareceu nenhuma vez na lista de convocados. Isso poderia causar frustração, não fosse pelo fato do atleta sequer imaginar que um dia pudesse vestir a camisa de um time do futebol brasileiro.
Nascido nos Emirados Árabes e maior goleador do futebol local na temporada 2007/08, com 28 gols pelo Al Wasr, Kamali, 19 anos, chegou ao Brasil em junho do ano passado com contrato de seis meses. Disputou torneios pelas equipes de juniores, marcando sete gols, e Sub-23, na Copa Paraná, em que balançou a rede uma vez - na primeira competição oficial no país. Tudo inédito em sua curta e já histórica carreira. Kamali é o primeiro árabe a atuar no Brasil. "Dizem que sou uma pessoa de sorte, e eu sinto isso. Estou muito feliz em estar aqui e espero representar bem meu país", disse, descontraído, o jovem jogador.
Ainda se habituando ao idioma, Kamali se mostra à vontade durante os treinamentos. Entende bem as orientações do preparador físico e do técnico Geninho. "É muito fácil se adaptar, todos cooperam. O Gustavo (Lazaretti) fala inglês perfeitamente. O idioma é um pouco complicado, mas não é um problema. Eu me sinto bem e todos me tratam como qualquer outro jogador, no mesmo nível", complementa.
Após boa temporada nos Emirados Árabes, a promessa árabe foi sondada por outros times, inclusive do futebol europeu, mas preferiu atuar no Brasil, apesar de desconhecer a realidade local. "Só conhecia o Grêmio e o São Paulo. Ninguém lá sabe que no Brasil tem campeonatos fortes e vários bons jogadores. Joguei contra Portuguesa e Flamengo em um torneio de juniores e mesmo jovens, muitos jogariam no time principal em qualquer time do mundo. É bom ter essa experiência na minha carreira", destacou o jogador.
Embora ainda não tenha sido convocado para o time principal, Kamali pode manter a esperança, no mínimo, por dois motivos: seu contrato foi prorrogado até outubro deste ano e Geninho, a cada vez que fala sobre ele, mostra admiração. "É um jogador inteligente. Ele evoluiu demais, nas jogadas diagonais, nas bolas cruzadas, onde o jogador árabe não costuma colocar a cabeça na bola. Ele, quando voltar para lá, vai ser diferenciado. Está trabalhando forte e isso é bom para ele para o clube", elogia o treinador.

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