Respeitados e conceituados como profissionais. Este é o perfil dos 11 homens que formam o órgão máximo da justiça futebolística do País: o STJD. Entretanto, o Tribunal vem se desgastando, acusado de ser manipulado pela CBF.
Advogados que frequentam as sessões do STJD há anos, garantem que em alguns casos, um ‘‘bilhetinho’’ chega às mãos do presidente Luiz Zveiter para que o veredito seja acertado antes entre todos os auditores. ‘‘Um absurdo pensar isso. Nós decidimos sempre de acordo com a lei desportiva’’, garante Zveiter.
O mais novo dos auditores, Gilberto do Rêgo, insiste que essa independência do Tribunal é que garante a imparcialidade em resultados dos julgamentos.
Carlos Antônio Navega, auditor e vice-presidente do STJD, fala sobre o assunto com até certa irritação. ‘‘Ninguém ousaria me pressionar para tomar alguma decisão em favor deste ou daquele’’, afirma.
Quando o resultado de algum julgamento lhes é desfavorável, advogados de defesa ou réus que comparecem às sessões saem bastante irritados do auditório do STJD, localizado no 4º andar da sede da CBF, na Rua da Alfândega, 70, no centro do Rio de Janeiro. Um caso de clara indignação aconteceu após o julgamento do escândalo das arbitragens, realizado no dia 6 de junho. O jurista Valed Perry, um dos mais conceituados nomes da justiça desportiva do País e criador do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), deixou o prédio da entidade fazendo acusações.
‘‘O STJD colocou a bola na marca do pênalti, agora é só o Ricardo Teixeira chutar’’, vociferou Valed, comentando o resultado que suspendia o Atlético Paranaense por 360 dias, relacionando-o com uma possível volta do Fluminense à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, fato que ocorreu duas semanas depois, com a chamada ‘‘virada de mesa’’.
Outro que tem muito para se queixar do STJD é o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura - deputado cassado em 1994 no ‘‘escândalo do orçamento’’. Após ser anunciado que o Atlético poderia disputar o Campeonato Brasileiro, mas que perderia cinco pontos, o dirigente insultou os integrantes do tribunal. ‘‘São incompetentes e só o que sabem fazer é vir aqui para tomar whisky às custas da CBF’’.
Navega respondeu às críticas feitas por Onaireves Moura, apoiado por todos os outros membros do Tribunal. ‘‘Para ele falar alguma coisa terá que explicar antes a questão do orçamento. Eu não sou deputado cassado’’, rebateu Navega.
O poder de decidir o futuro de um desportista, de um clube e, às vezes, como aconteceu recentemente, de uma competição como o Campeonato Brasileiro, é que incomoda muitas pessoas. O STJD é o máximo, a última instância a que se pode recorrer de qualquer decisão de outros tribunais inferiores (Federações estaduais e Tribunal Especial da CBF).
Ir à Justiça Comum é prejuízo na certa. Simplesmente porque a Fifa proíbe tal medida. Caso algum clube tome esta decisão, é punição no ato com o rebaixamento para a Terceira Divisão de todas as competições.

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