Rio de Janeiro - Depois de quase duas horas de depoimento no processo em que é acusado de ter cometido crimes contra o sistema financeiro, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, deixou ontem à tarde o prédio da Justiça Federal pela porta dos fundos.
Irritado com o assédio dos jornalistas que o esperavam na portaria, o dirigente quebrou o esquema de segurança do local ao se recusar a deixar o prédio pela porta principal. Ao ser indagado por um jornalista sobre os detalhes do seu depoimento, Teixeira respondeu: ‘‘Esquece, pô’’.
Acompanhado do advogado José Mauro do Couto e de alguns dirigentes da CBF, ele ficou cerca de dez minutos no estacionamento privativo da Justiça Federal para evitar os jornalistas, que eram impedidos pelos seguranças de ter acesso a ele. Teixeira só deixou o estacionamento depois que seu carro entrou no local.
O depoimento do dirigente foi concedido ontem na 6ª Vara Criminal Federal do Rio à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal do Rio de ter cometido crimes contra o sistema financeiro nacional por causa de empréstimos realizados pela CBF entre 1998 e 2000, no total de US$ 30 milhões, no Delta Bank (EUA).
O processo foi aberto na Justiça Federal com base no levantamento feito pelos deputados da extinta CPI da CBF/Nike.
A CBF pagou pelo menos US$ 10 milhões em juros ao banco americano. Segundo a Folha de S.Paulo revelou em 2001, os juros pagos pela entidade (que chegaram a 43%) foram recordes entre todas as operações feitas pelo Delta Bank com instituições brasileiras.
No processo aberto na 6ª Vara Criminal Federal do Rio, o presidente da CBF foi indiciado nos artigos 21 e 22 da Lei do Colarinho Branco. O artigo 21 prevê de um a quatro anos de detenção para a pessoa que se atribui, ou atribui a terceiro, falsa identidade, para a realização de câmbio.
Já o artigo 22 estipula de dois a seis anos de reclusão para quem efetuar operação de câmbio não autorizada com o fim de promover evasão de divisas do país. Além de Teixeira, o secretário-geral da entidade, Marco Antônio Teixeira, e José Carlos Salim, diretor da CBF, também são réus no processo.

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