Adrenalina, muita pedra e água gelada na descida do Rio do Peixe: Posição três, posição três!! Agüente o tranco!, gritava o instrutor de acqua ride, Chapolin, orientando os iniciantes que, logo no início do percurso, desafiavam a mais alta corredeira do Rio do Peixe, a do Monjolinho, de quatro metros de desnível. Deitados sobre uma câmara de pneu de caminhão adaptada (amarrada) e equipados com capacete, luvas de remada, colete salva-vidas, tênis, caneleira e roupa de neoprene, os atletas descem rio abaixo com a difícil tarefa de manter-se intactos sobre a bóia. À frente, os mais irados obstáculos: corredeiras, pedras, refluxos, galhos e vários troncos.  Assim é o acqua ride, um esporte divertido e radical, que surge como mais uma modalidade de exploração de rios, com direito a largas braçadas em remansos (águas calmas), trecho em que se aproveita para respirar a envolvente natureza, e à adrenalina dos degraus nas corredeiras, de diferentes níveis de dificuldade.
  O point escolhido para a experiência foi a Estância Socorro, localizada na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, a 130 Km da capital paulista. Conhecida como a Cidade Aventura, o pequeno município encontra-se encravado na Serra da Mantiqueira, faz parte do Circuito das Águas, juntamente com mais cinco cidades vizinhas, e com isso oferece um grande leque de opções radicais e de ecoturismo aos visitantes.

A hora das corredeiras

  Com o nível do rio médio, partimos com os cinco experientes acqua riders, os locais Chapolin, White, Leandro e o pequeno Zé Goela, de apenas dez anos de idade, para os dois quilômetros do trecho radical do Rio do Peixe. O primeiro e maior desafio foi encarar o Monjolinho. O enorme degrau de quatro metros parece ser de queda-livre, quando se está prestes a descê-lo. A adrenalina corre solta! A posição do piloto da bóia deve ser a 3: braços esticados, pegada firme nas alças e pernas abertas equilibrando todo o conjunto. Pancadas nas pedras com as pernas são normais. É um alívio ter as caneleiras... Dói quando o golpe atinge o tênis, na região do peito do pé. O inchaço faz da aventura uma experiência inesquecível (pelo menos por alguns dias).
  Superado o desafio – e repetido por mais duas vezes – seguimos ao encontro do Rali, uma corredeira longa e cheia de curvas, muito divertida. A posição deve ser a 2: coloque-se mais atrás e reme com força. Foram 100 metros apostando corrida com os amigos. A classe desta corredeira é um 2+, considerando que a escala, muito usada no rafting, vai até o cinco. Vale ressaltar que no acqua ride o contato com o rio e todas as suas armadilhas é mais intenso, tanto pela proximidade da água, como pela instabilidade da embarcação.
  Após o Rali, a Florestinha, um remanso de águas quase paradas, que mergulha num denso túnel de mata virgem, inacessível senão pelo rio. A excitação cede à admiração. A posição 1 é a recomendada, com o corpo mais adiante, remando calmamente.
  Retomado o fôlego temos pela frente a corredeira Sítio Bonito, de classe 3+. Para os iniciantes recomenda-se a portagem (caminhar com o bote sobre as pedras ou na beira no rio). O degrau é brusco e existe uma enorme pedra a poucos metros. O segredo é controlar a ansiedade e manter-se sobre a bóia. A correnteza faz o resto.
  Já no término do percurso topamos com o Condomínio das Aranhas, não deu para ver uma... Corredeira de uns 30 metros de extensão, classe 2. A essa altura o acqua ride tinha virado festa! Cuidado com o excesso de confiança...

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