Acordo permite cadastro de torcedores na Capital
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Fábio Galão <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes do Ministério Público do Paraná, do Ministério dos Esportes e de torcidas organizadas de times de futebol de Curitiba assinaram ontem um termo de ajustamento de conduta (TAC). A ação vai permitir o cadastramento dos torcedores que integram as organizadas para facilitar a identificação de quem eventualmente praticar atos de violência nos estádios. Segundo o MP, Curitiba é a primeira cidade do Brasil a adotar a medida.
A iniciativa é parte do projeto Torcida Legal, do Ministério dos Esportes, que visa equipar estádios de futebol com sistemas para identificação, controle de acesso e monitoramento dos torcedores, para que haja mais segurança e conforto nas arenas.
De acordo com o MP, o Ministério dos Esportes vai criar um site do Torcida Legal, onde os integrantes de organizadas terão que se cadastrar. Depois, no mês de junho, o torcedor será chamado para apresentação de documentos, coleta de impressões digitais e tirar fotografia.
Quando o projeto estiver funcionando, o torcedor só poderá entrar no estádio com materiais alusivos a torcidas organizadas se estiver cadastrado. ''Esperamos que, com a quebra do anonimato, o torcedor fique inibido de cometer atos criminosos e haja uma drástica redução dos casos de violência'', comentou Ricardo Gomyde, assessor especial do Ministério do Esporte.
Leandro Arruda, primeiro-secretário da diretoria da torcida Fúria Independente, que apoia o Paraná Clube, apontou que já há algum tempo as organizadas vinham conversando com o MP e procurando tomar medidas. ''A Fúria e outras organizadas já vinham fazendo o recadastramento dos seus membros. A Fúria, inclusive, desenvolveu um programa para um Smart Card, com dados biométricos do torcedor'', explicou Arruda.
''Qualquer medida para afastar os maus torcedores é bem-vinda, mas tem que haver punição. Não adianta o cara aprontar e poder continuar indo ao estádio'', disse o secretário, que falou também da necessidade de coibir conflitos fora dos estádios. ''Se o torcedor fizer alguma coisa fora do estádio, quebrar ônibus, por exemplo, a organizada tem que tomar medidas conforme o seu estatuto e a polícia tem que prender'', afirmou.
Além da Fúria Independente, assinaram o termo as organizadas Fanáticos e Ultras, de torcedores do Atlético, e Império Alviverde, de apoiadores do Coritiba.


