Acidentes marcam etapa do Paris-Dacar-Cairo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto (Especial para AE) 
Khofra, Líbia, 19 (AE) - A etapa de hoje do rali Dacar-Cairo, entre Waha e Khofra, na Líbia, foi marcada por dois acidentes graves. O primeiro, logo no início do percurso, envolveu quatro carros e deixou os oito pilotos e co-pilotos feridos, alguns em estado grave. E no final, a vítima foi o brasileiro Alberto Fadigatti, que teve duas cláviculas fraturadas e vai usar um colete de imobilização. Mas seus reflexos estão normais. Tudo isso foi nas dunas do deserto líbio. O primeiro acidente foi o assunto do dia, não apenas por envolver pilotos de ponta, mas pela forma como aconteceu. Os carros vinham passando por uma série de dunas que no jargão dos pilotos são chamadas de baleias: arredondadas e possíveis de serem transpostas sem maiores dificuldades. Mas uma delas tinha um vácuo. E a alta velocidade fez com que todos capotassem. Pior: os carros ainda se chocaram na queda. As duplas envolvidas foram Carlos Souza e João Luz (Portugal), Kenjiro Shinozuka (Japão) e Dominique Serieyes (França), Gregorio de Mevius (Bélgica) e Thierry Delli Zotti (Itália), Miguel Prieto (Espanha) e Maimon Pascal (França). A única informação que se tinha até o começo da noite de hoje (19) era de que os portugueses estavam em estado grave e o espanhol estava relativamente bem. O acidente gerou muita discussão em relação a uma possível falha na planilha. Cacá Clauset e Amyr Klink, da equipe Troller, acham que faltou a informação de que havia uma queda brusca. E Amyr contestou a versão oficial, de que os pilotos estavam a um quilômetro da trilha correta. Segundo ele, isso era impossível, pois faltavam apenas dois quilômetros para o ponto de convergência do GPS. Kléver Kolberg e André Azevedo preferem dizer que foi uma fatalidade, lembrando que o terreno era vasto e não havia uma pista definida. Nesses casos, é normal que um piloto escolha um caminho diferente para ganhar alguns segundos. Kléver, que disse ter ficado parado durante 20 minutos para ajudar, ficou impressionado com o acidente. E revoltado com muitos pilotos que não pararam. André conta que existe uma regra segundo a qual um deve parar para que o outro prossiga, mantendo a igualdade de condições. O acidente envolvendo a dupla Reinaldo Varella e Alberto Fadigatti foi menos cinematográfico. O Troller também capotou numa duna, mas bem menor. E numa velocidade mais baixa. Varella nada sofreu e quando chegou ao acampamento, rebocado, disse que teve dois medos: que a gasolina provocasse uma explosão e que outro carro caísse por cima. Mas Fadigatti teve de ser levado de helicóptero para o aeroporto de Khofra. E entre a madrugada de hoje e manhã de amanhã, deveria ser transferido para um hospital
possivelmente no Cairo. O atendimento dado a Fadigatti pela equipe médica do rali foi deficiente. O diretor de prova, Hubert Auriol, parecia já esperar pela pergunta. E foi logo justificando com o primeiro acidente, inédito segundo ele em termos de veículos envolvidos. Fadigatti foi levado a um hospital local para fazer radiografia, que detectou o problema na coluna. Mas sequer deram os pontos no corte que ele tem na perna. Na tenda médica, Fadigatti, com certa dificuldade para respirar, falava lentamente. Mas criticou com dureza o sistema de rodoar do Troller, que permite alterar a pressão dos pneus de dentro do carro. Como está instalado debaixo do painel, Fadigatti diz ter afrouxado o cinto de segurança para alcançá-lo, o que teria aumentado o impacto da batida. Cacá Clauset, também piloto da equipe, explica que foi escolhido um lugar escondido para evitar que, num esbarrão, o sistema fosse acionando equivocadamente. Mas admite que isso pode ser revisto. Resultados de hoje e classificação geral - Carros: Kléver Kolberg (24º e 18º), Roberto Macedo (40º e 80º), Cacá Clauset (49º e 55º), Arnoldo Silveira (91º e 52º). Lidera o francês Jean-Louis Schlesser. Motos: Juca Bala (28º e 16º). Lidera o espanhol Joan Roma. Caminhões: André Azevedo (2º e 2º). Lidera o russo Vladimir Tchaguine.


