Acidentes graves marcam motocross em 2011
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domingo, 11 de dezembro de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
O talento e a coragem dos pilotos das modalidades do estilo motocross chamam atenção durante as competições. Mas em 2011 o que marcou foram os acidentes.
O pior deles foi a colisão envolvendo o piloto mineiro Siwan Zanoni em setembro, durante uma apresentação de Motocross, em Orizânia (MG). Zanoni, que tinha 23 anos e estava no auge da carreira, perdeu o controle da moto durante uma manobra, bateu em uma árvore e faleceu.
Mais recentemente, foi um piloto do Paraná que se acidentou, o curitibano Paulo Stedile, da equipe Pro Tork. O acidente não foi tão grave quanto o de Zanoni, mas deu um susto em Stedile. Durante a disputa final do Campeonato Brasileiro de Velocross, em Witmarsum (SC), realizada no final de novembro, o piloto perdeu o controle da moto e caiu. Em seguida, foi atropelado por outro competidor, Luiz Henrique Zimmermman.
O acidente resultou em duas costelas quebradas e uma lesão no pulmão. Stedile passou cinco dias internado.
Passado o susto ele já pensa na próxima temporada, mas admite que a parte psicológica fica um pouco abalada depois de um acidente. ''Da uma 'baqueada' sim, mas aos poucos você vai voltando a correr normalmente'', afirma.
Quem também conhece bem esse processo é o companheiro de equipe de Stedile, o londrinense Nico Rocha. Há cerca de sete meses ele colidiu em outro piloto durante uma prova do Campeonato Paranaense de Motocross. O acidente ocasionou uma lesão grave no pulso e somente agora a recuperação chega na etapa final. ''Nosso esporte é radical e quem está nele sabe que está sujeito a acidentes. É claro que quando volta a correr, na primeira semana fica meio cauteloso, mas depois passa uma borracha naquilo e volta a correr como antes'', declara Rocha.
De acordo com o piloto, além dele e do parceiro da Pro Tork outros atletas também se acidentaram durante o ano. ''2011 foi um ano difícil. Foram vários acidentes. Teve o do João Marronzinho, Péricles Dutra, Leandro Silva, Eriton Garcia e também o Milton Becker. Isso é de quem eu lembro o nome, mas houve outros também''.
Rocha acredita que entre os motivos para tantos acidentes está a maior competitividade nas modalidades de motocross, que estão cada dia mais rápidas. ''Está aumentando o número de pilotos, ficando mais profissional e mais veloz'', avalia. ''As motos também estão evoluindo bastante e os pilotos estão cada vez mais rápidos. Acho que alguma coisa pode melhorar nas pistas também'', ressalta Stedile.
Já para o vice-presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo, Roberto Boettcher, o maior problema são as chamadas ''provas piratas'', ou seja, aquelas que não têm a chancela da Confederação. ''Nas provas oficiais as pistas são bem tratadas, têm segurança. Já as piratas, muitas vezes, são feitas sem a preocupação com a segurança. Foi o caso da prova em que morreu o Zanoni, era pirata'', afirma Boettcher. ''Muitas vezes o piloto é movido pelo cachê e se arrisca em provas desse tipo'', ressalta.
Para tentar evitar outros casos fatais, o vice-presidente afirma que a Confederação deve começar um trabalho em conjunto com as federações estaduais para alertar diversos órgãos públicos sobre os riscos das competições não oficiais. ''A ideia é preparar um documento para encaminhar às prefeituras, Polícia Militar e Bombeiros para que não concedam alvará para provas que não têm a chancela da Confederação''.


