Acidente natural gera troca de ofensas
Apenas duas horas depois da corrida, só um pouco mais calmo, Michael Schumacher deu a sua versão do acidente que o tirou da corrida e lhe impediu de assumir a liderança do Mundial: David Coulthard deliberadamente me jogou para fora e as razões são óbvias.
O que é que você queria? Matar-me?, foram as palavras de Schumacher para Coulthard, dentro do box da McLaren. Os dois conseguiram voltar para o box depois da batida. Desta vez eu te f..., mas da próxima eu te mato, ameaçou o alemão. Os mecânicos tiveram de intervir para o piloto da Ferrari não avançar sobre Coulthard. Na segunda largada da prova, Mika Hakkinen disputou a primeira colocação com Schumacher na primeira curva, a La Source, e levou a pior. Os dois se tocaram e sua McLaren ficou atravessada na pista, onde foi atingida pela Sauber de Johnny Herbert. O GP da Bélgica acabou ali para o líder do Mundial.
Para Schumacher, não há nenhuma dúvida: Coulthard tirou o pé do acelerador em um trecho onde todos os pilotos estão em plena aceleração. Seu objetivo era causar o acidente, na opinião do alemão, já que a visibilidade era mínima. Ele não sabe que quando se tira o pé do acelerador esses carros perdem muita velocidade?, perguntou Schumacher à imprensa. Eu estava de pé embaixo porque a volta inteira eu vinha lhe pedindo passagem, levantando o braço.
Para Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, o acidente poderia ter tido consequências graves. O alemão comentou que precisava acelerar daquela forma para tentar a ultrapassagem na entrada da curva. Ele não respeitou a bandeira azul (exposta pelos bandeirinhas, indicando que Coulthard, como retardatário, deveria facilitar a manobra). Foi o que eu fiz, desloquei minha McLaren para a direita e aliviei o acelerador para facilitá-lo, afirmou Coulthard, defendendo-se. É nojenta a acusação de que eu tentei matá-lo. Para o escocês, Schumacher não tem controle emocional. Os dois transportaram para o conflito de ontem as rusgas havidas na Grand Prix Drivers Association (GPDA), a associação dos pilotos. Coulthard já tinha acusado o alemão de não ter moral para ser presidente da entidade por causa da sua forma irresponsável de pilotar.
A maioria dos profissionais que trabalha ou já passaram pela Fórmula 1 inocentou Coulthard pelo acidente com Schumacher. Para Alain Prost, quatro vezes campeão do mundo, não se pode atribuir nenhuma culpa ao piloto da McLaren. David aliviou o pé do acelerador para facilitar Schumacher, mas, como a visibilidade era precária àquele altura, Schumacher não teve como avaliar as diferenças de velocidade entre a sua Ferrari e a McLaren, diz. Já de noite, a direção de prova classificou o acidente como natural de uma competição de automóveis e nenhuma medida punitiva será tomada.
Se tivesse vencido, o alemão assumiria pela primeira vez na temporada a liderança do Mundial. Restam três etapas para o encerramento do campeonato. A próxima será dia 13 de setembro, em Monza, casa da Ferrari. A McLaren deverá ter de muitos torcedores uma recepção à altura do comportamento proposto por Schumacher para Coulthard. O GP da Itália pode ser perigoso para a Fórmula 1.





