Brasília, 15 (AE) - Os deputados petistas Jaques Wagner (BA), Arlindo Chinaglia (SP), Paulo Rocha (PA) e Doutor Rosinha (PR) impetraram junto à Procuradoria Geral do Distrito Federal pedido de ação civil pública para anular contrato assinado entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a empresa Nike, fabricante de produtos esportivos. Segundo os deputados, o contrato representa um desrespeito aos direitos humanos e ao patrimônio cultural do povo brasileiro, "tendo em vista os dados causados pela Nike aos seus trabalhadores em diversos países" e "em face da manipulação da Nike sobre o calendário de jogos da seleção brasileira de futebol".
Na representação, os parlamentares pedem que o Ministério Público investigue as cláusulas do referido contrato, que supostamente colocariam limitações ao calendário de jogos da seleção. Os parlamentares dizem na representação que o patrimônio cultural brasileiro não pode "se submeter a interesses unicamente comerciais". A cultura nacional, segundo os deputados, "foi esquecida" pela CBF, quando a entidade definiu o calendário de jogos da seleção "seguindo os interesses da Nike".
Os parlamentares sustentam em sua representação que a Nike desrespeita a integridade física de moral de trabalhadores em vários países. Os quatro parlamentares citam exemplos na China, Indonésia, Vietnã e outros países, onde a empresa estaria desrespeitando as legislações locais, "explorando" trabalhadores. Os parlamentares dizem na representação que não aceitam as alegações da fabricante de produtos esportivos, que a culpa seria de empresas subcontratadas.
Na representação, os parlamentares do PT citam vários trechos da Constituição e da legislação desportiva, que sustentariam a representação contra o contrato da Nike e a CBF. Na avaliação dos parlamentares, há "evidente ilegalidade do contrato entre a CBF e a Nike", por não ter respeitado os princípios de honestidade e moralidade".
TEIXEIRA - O presidente da CBF, Ricardo Teixeira não se importou com a ação impetrada pelos deputados. Segundo ele, a entidade é privada e não depende de recursos do governo federal. "O governo dá dinheiro para a CBF e para a Nike?", perguntou Teixeira, assegurando que está tranquilo. "Sei que isso não vai dar em nada", acrescentou.

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