Acampamento vai virar vila rural
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Julio Cesar Lima <br> De Monte Alegre (PA) 
O cenário é de Woodstock . Depois de uma estiagem de quatro meses, as fortes chuvas que caíram sobre Monte Alegre, onde está localizado o acampamento central da Expedição Mata Atlântica (EMA), corrida de aventuras de 550 quilômetros na floresta amazônica do Pará; deixaram a área de 12 mil metros quadrados onde se concentram imprensa, competidores e organização do evento, semelhante às imagens do famoso festival de rock de 1969, nos Estados Unidos.
No meio do nada e com muito barro, o local foi a casa de pelo menos 300 pessoas nos últimos cinco dias, além do grande número de atletas que passaram pela área, elevando essa população para 600. Os banheiros, buracos cavados próximos ao acampamento; e os chuveiros ao ar livre, deram um sentido primitivo ao lugar. O investimento, no entanto, foi grande, e a partir dessa semana, quando todos saírem, surgirá uma vila, com energia elétrica e a promessa de escola e maior infra-estrutura.
O governo do Pará investiu R$ 1 milhão para o evento na região. A cidade de Monte Alegre, com 60 mil habitantes, está a 800 quilômetros de Belém, a capital paraense. Essa distância, facilmente percorrida em rodovias de pista dupla (que não existem nesse trajeto) significa uma eternidade dentro de um barco, principal meio de transporte da região.
O investimento incluiu a instalação de 13 quilômetros de energia elétrica, e a criação de um sistema de telefonia , que ainda não existia, na área; o que possibilitou a comunicação dos organizadores e imprensa com o resto do mundo. A rodovia PA-254, recebeu melhorias em 40 quilômetros. O cenário de redes camufladas estendidas sob os galpões, que lembrava acampamentos militares, será mudado para receber 150 famílias e o início de um assentamento.
Além do forte calor, média de 35 graus; e carrapatos, a seca também castigava a região, pois não chovia desde agosto. Esse era um dos motivos apresentados pelos moradores para explicar o número excessivo de queimadas, que deixa um cenário de terra arrasada na região. ''Isso acontece por combustão espontânea. É muita seca'', explicava o secretário de Turismo e Meio Ambiente de Monte Alegre, Francisco Lima. (O repórter viajou a convite da organização)


