O benefício da suspensão provisória do processo dado ao volante Renato, do Atlético, pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol, começou a valer ontem, mas ainda com margem para interpretações em alguns pontos. A questão da validade do benefício durante o Campeonato Brasileiro, por exemplo, tem interpretação diferente para o presidente do TJD, Ítalo Tanaka Júnior, e para o procurador Carlos Marinoni, que sugeriu a suspensão provisória em que Renato foi denunciado por falsidade ideológica - ele falsificou documentos para se passar por jogador júnior.
Segundo Carlos Marinoni, a suspensão teria que começar a valer a partir do Campeonato Paranaense do ano que vem, já que o processo se deu no Paraná. ‘‘No meu entendimento, a CBF não teria efeito sobre um caso originado no Paraná e, portanto, não valeria no Brasileiro.’’
Para Ítalo Tanaka Júnior, o benefício vale para todo o território nacional. A explicação, segundo ele, é que a suspensão tem que ser aplicada conforme o que é feito nos juizados especiais, de onde foi ‘‘copiada’’. ‘‘Se nos juizados especiais esse benefício vale para todo o Brasil, na área desportiva também tem que ser assim.’’ Renato foi expulso no jogo de anteontem contra o Botafogo.
Na outra questão polêmica do benefício - a que proíbe que Renato seja expulso de uma partida -, os dois pensam iguais. Ítalo tinha dito há alguns dias que o jogador não poderia ser expulso que já perderia o benefício. No entanto, ontem o presidente do TJD afirmou que isso só acontecerá se, quando expulso, ele for julgado e condenado pelo TJD de forma a não caber mais recursos em nenhuma instância.
De acordo com Ítalo, a interpretação de que o benefício vale ou não para o Brasileiro só acontecerá quando houver um fato concreto, ou seja, se Renato for expulso e condenado sem possibilidade de recursos, provavelmente o Atlético vai questionar a legalidade da suspensão provisória no tribunal e aí os juízes vão analisar.
Caso Cléber - O Departamento Jurídico do Coritiba deverá definir até a próxima segunda-feira um novo passo para tentar resolver o caso Cléber. O clube espera que a CBF anule o contrato do jogador com o Atlético (PR) com base numa ordem da juíza da 8ª Vara de Conciliação e Julgamento de Curitiba, Sandra Maria da Costa Ressel.
Segundo Guido José Dobeli, vice-presidente Jurídico, uma das alternativas é pedir para a juíza que envie uma nova ordem judicial, mas desta vez com prazo para uma definição da CBF. ‘‘Como na primeira ordem judicial não foi estipulado um prazo para uma posição da CBF, a entidade não se apressa em dar uma solução.’’ Outro caminho que o Coritiba poderá seguir, segundo Dobeli, é recorrer ao TJD da própria CBF. ‘‘Houve uma mudança nos componentes do tribunal, que agora têm uma nova mentalidade e, por isso, poderão resolver o caso.’’

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