Está aberta a última corrida por medalhas olímpicas do século. A 27ª e última Olimpíada do milênio começou com uma grande festa, com cerca de quatro horas de duração, na madrugada de ontem. A tocha, que simboliza a força do esporte, levada por mais de 11 mil pessoas num percurso de 27 mil quilômetros, entrou no estádio Olímpico de Sydney e foi carregada por sete mulheres atletas antes de acender a pira. Um momento muito especial, emocionante. A hora em que o esporte une os povos. As delegações das duas Coréias, por exemplo, desfilaram juntas, superando as desavenças que começaram com uma guerra política na década de 50.
Foi o governador geral da Austrália, Sir William Deane, quem decretou o início das competições, que acabarão em 1º de outubro. O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, elogiou a organização dos australianos, enquanto, um pouco antes, o ministro dos Esportes australiano, Michael Knight, havia garantido aos atletas: ‘‘Vocês são as estrelas desse show; aproveitem’’.
Betty Cuthbert, uma ex-atleta de 62 anos que sofre de esclerose múltipla, entrou carregando a tocha numa cadeira de rodas. O símbolo passou pelas mãos de mais cinco atletas antes de ser entregue para Cathy Freeman, de 27 anos e origem aborígene, que acendeu a pira.
A chegada do público e das delegações para a cerimônia de abertura foi um exemplo de organização. Cento e dez mil pessoas compraram ingressos e mais uma multidão de aproximadamente 12 mil atletas e membros de delegações de 199 países entraram no Estádio Olímpico sem que nenhum incidente grave tivesse sido registrado pela polícia. A delegação brasileira chegou cerca de uma hora e meia antes do início e foi a 26ª a desfilar.
O dia da festa de abertura dos últimos Jogos do milênio começou com sol forte, a exemplo do que ocorrera no dia anterior. O público antecipou sua chegada e desde a manhã passeava pelas alamedas do parque olímpico.
De longe, as pessoas aplaudiam a cada delegação. Davam boas-vindas e desejavam boa sorte. Alguns atletas brasileiros furaram o cerco policial e pararam para conversar com os jornalistas. ‘‘Esta será uma noite inesquecível’’, previa Erolnildes Araújo, que vai competir na prova de 400 metros com barreira. André Domingos, um dos principais destaques da equipe brasileira do revezamento 4 x 100 metros, estava emocionado. ‘‘Meu coração está explodindo de alegria. Agora só queremos que o povo brasileiro torça muito por nós.’’

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