Aberta a temporada de trocas de figurinhas
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sábado, 07 de abril de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Colecionadores de figurinhas têm um ponto de encontro aos fins de semana, em Londrina, para trocar os cromos repetidos dos jogadores que disputarão a Copa do Mundo 2018 na Rússia. Em frente ao Mercado Municipal Shangri-lá, meninos e meninas de todas as idades se reúnem para tentar completar os álbuns que começaram a ser vendidos há poucas semanas e já viraram febre.
Davi Paiva, 11, é de Dourados (MT), veio passar uns dias com a família em Londrina e aproveitou a companhia do tio Heitor Bilha para comprar e trocar figurinhas. "Sempre gostei de figurinhas e hoje compro para a criançada. Na Páscoa gastei mais com figurinha do que chocolate", diverte-se ele, que ajudava Davi a conseguir mais jogadores para completar o álbum.
Torcedor do Palmeiras, Davi conta que admira o jogador Kaká, que não vai disputar a Copa, mas está ansioso também para acompanhar o desempenho do argentino Messi. A opinião do garoto foi única entre todas as outras crianças entrevistadas, que apontaram Neymar como maior ídolo e, claro, a figurinha mais esperada da coleção.
João Marcos, 10, e José Pedro, 5, foram ao mercadão com os avós Catarina das Neves e José Adauto Bachiega para comprar e trocar figurinhas. "Tiramos o Neymar no primeiro pacote que abrimos", contam os meninos, que envolveram a avó na mania. "Se a avó não vem, ninguém troca", brinca ela, que também gosta de futebol e estava ansiosa para o jogo do Corinthians no domingo, na decisão do Campeonato Paulista contra o Palmeiras.
Para Claudinei Mastellini, a coleção das figurinhas da Copa é mais uma forma de estar em contato com o filho Rodrigo, 15, que em copas anteriores completou os álbuns dos campeonatos disputados no Brasil e na África. "É uma diversão", opina Rodrigo, que tirou o ídolo Neymar duas vezes. "Também sou fã do Cristiano Ronaldo", avisa.
Vinícius, 8, estava investindo as economias na compra de novas figurinhas e garantiu que vai completar o álbum. Fã de Neymar, ele espera ansiosamente pela foto do ídolo e está esperançoso pela vitória do Brasil nesta copa. "Acho que podemos ganhar", diz o garoto, que torce para o Londrina, o Palmeiras e o Brasil.
Ana Clara, 9, também estava comprando figurinhas na banca, mas guardaria as repetidas para trocar com os amigos da escola. Ela usa um aplicativo para controlar a coleção e mostrou orgulhosa que já tinha completado a coleção do Egito. Acompanhada da mãe, ela contou que gosta de futebol e torce para o Londrina. "Vou a todos os jogos com meu pai, é muito divertido", afirma.
HISTÓRIA
O proprietário da banca Flamengo, João Medeiros, que há 40 anos mantém o comércio de revistas e jornais no Shangri-lá, acredita que o álbum da Copa da Rússia é o de maior sucesso da história. "Está vendendo mais que o álbum da copa de 70", conta ele, que promovia os álbuns de figurinhas em Recife em 1970 e tirou uma foto com a taça Jules Rimet na época. "Eu estava em uma escola distribuindo álbuns e tinha uma promoção acontecendo sobre a Copa. A taça estava lá e tirei a foto", orgulha-se.
Medeiros revela que, na atual temporada de colecionadores, os clientes são de todas as idades. "Tem muitos adolescentes, principalmente moças. Foi uma surpresa", diz ele, que acompanha o mercado de figurinhas há mais de quatro décadas e garante que os álbuns de futebol são sempre um sucesso. "A coleção mais vendida em Londrina, porém, não foi de nenhuma copa. Foram as figurinhas July Pop, com imagens de bonecas. "Foram as primeiras figurinhas autoadesivas e em autorelevo que surgiram no mercado."


