France PresseO piloto austríaco Gerhard Berger sai de cena depois de disputar 210 GPs em dez anos de carreira Abatido, recuperando-se de uma cirurgia nos seios nasais, Gerhard Berger respondeu quando lhe perguntaram em julho, enquanto assistia aos GPs do Canadá, França e Inglaterra pela televisão: ‘‘Minha filha mais velha (Christina, de 17 anos) disse me certa vez que sempre fui um pai muito ausente’’. Emocionado e arrependido, confessou ter errado muito ao se dedicar quase que só à Fórmula 1, em detrimento da família. Ontem, em Viena, depois de 209 GPs em 13 temporadas, ele anunciou que pára de correr este ano. O GP da Europa, dia 26, será o último desse austríaco de 38 anos. ‘‘Sinto-me cansado, exausto’’, afirmou.
Não lhe faltaram convites para permancer na F-1, segundo disse. Mas quem viu Berger procurar Bernie Ecclestone, com insistência, tentando fazer com que o dirigente lhe ajudasse a conseguir um carro em 98, não pode acreditar na sua declaração. ‘‘Preciso de um tempo, meu corpo me sinalizou claramente para deixar as pistas’’, argumentou ontem. Durante o GP da Áustria, mês passado, ele chegou a pedir alguns minutos para o repórter que o entrevistava, porque sentia fortes dores ainda na face, decorrentes da crônica sinusite que o debilita.
Berger é o nome de uma das maiores empresas de transporte da Áustria, com frota de cerca de 300 caminhões. ‘‘Acho que o ano que vem vou com minha família (teve mais duas filhas) passar o verão nas melhores praias do mundo e o inverno esquiando, só depois vou me dedicar aos negócios’’. A empresa era de seu pai, Johann, morto num acidente aéreo em julho. Johann havia sido condenado pouco antes a cinco anos de prisão por estar envolvido em uma transação fraudulenta de empréstimo num banco suíço. ‘‘A sua condenação, perda e a minha doença foram duros golpes para mim’’.
Milionário e sem sequelas do grave acidente sofrido no GP de San Marino de 89, na mesma curva onde morreu seu amigo Ayrton Senna, a Tamburello, Berger disse que sua decisão é apenas temporária. ‘‘Niki Lauda e Nigel Mansell são bons exemplos para mim, eu quero voltar a correr de alguma coisa daqui a um tempo’’. Sobre Ayrton Senna, além dos médicos que o assistiam no Hospital Maggiore de Bolonha, Berger foi a única pessoa que o viu desfigurado, agonizando. Depois disso, chegou a pensar em parar de correr. O que acabou fazendo agora.

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