Elas nasceram numa família de aficcionados por atividades físicas, passaram pela ginástica olímpica, vôlei, handebol, mas pararam num esporte que não tem competições no país, raríssimos times e quase nenhum incentivo: o futebol feminino. As irmãs gêmeas Noaha e Tainã Brunetti Barchini, de 17 anos, se mudaram de Londrina para São Paulo ainda novas e frequentam, desde o início de 2007, uma das unidades da escolinha de futebol 'Corinthians Chute Certo'. Durante visita a familiares em Londrina essa semana elas receberam a reportagem da FOLHA para falar sobre o esporte.
O sonho de uma carreira no futebol, apesar de mexer com a imaginação das duas jovens, esbarra no quase completo abandono do esporte. Os problemas perduram mesmo após a conquista do vice-campeonato mundial pela seleção brasileira feminina e o sucesso repentino da jogadora Marta.
''Agora com a Marta, prometeram que vai melhorar, que vão fazer um campeonato, mas ainda não vi nada'', conta Noaha, que é meia-direita do time juvenil feminino do Corinthians . ''Essas coisas todas são fruto do preconceito machista que tem no futebol. Imagina se um dia a Marta vai ganhar um salário parecido com o do Ronaldinho. E olha que ela joga melhor que muito homem...''
A goleira Tainã complementa o indignado raciocínio. ''Na escola os meninos não deixam a gente jogar porque dizem que mulher tem que ir para a cozinha. Um dia tentamos entrar com os jogadores do Corinthians no campo, mas eles também não deixaram, disseram que são só meninos e bem pequenininhos'', reclama. ''Teve menina que até chorou. A gente vai lá torcer, ver o time perder, e nem da entrada a gente pode participar''.
Ambas as jogadores afirmam que seguiriam carreira no futebol se as coisas fossem diferentes. ''Só que desestimula. Você começa a treinar e sabe que não tem futuro. Que nem as meninas da seleção, nem lugar para treinar elas não têm''.
Outra consequência da falta de apoio ao futebol feminino é que, por falta de campeonatos, elas nunca assistiram a um jogo oficial de mulheres.''Dá vontade, né, mas só tem fora do Brasil'', conta Noaha.
ONG
Além dos próprios sonhos, as gêmeas cobram mais apoio para o futebol feminino com o objetivo de criar oportunidades de crescimento profissional para milhares de meninas de famílias de baixa renda.
A mãe das duas jogadoras criou e administra a ONG Novitá, que oferece treinamento esportivo para adolescentes do Jardim Maristela, na periferia de São Paulo. ''Tem muita menina que se tivesse um incentivo ia se dar bem. Elas são talentosas e gostam muito de futebol. Só falta o 'empurrão''', reivindica Tainã.

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