Paulo Briguet
Enviado da Folha
Peço licença para entrar no mundo das coisas que não aconteceram. Vejamos o que existe por lá.
Taffarel fica indeciso por algum tempo, mas resolve aceitar a convocação de Wanderley Luxemburgo e defender o gol brasileiro na Copa América.
Aldair também hesita, mas topa encarar mais um desafio na zaga da Seleção.
César Sampaio recupera plenamente suas condições físicas e chega para ser titular absoluto.
Juninho está em perfeita forma para entrar jogando e disputar uma vaga na Seleção.
Edílson pensa em fazer uma embaixada na final contra o Palmeiras, mas afasta essa idéia tola.
Leonardo fica um pouco chateado com a escolha de Cafu para capitão, mas não se deixa abalar e permanece no grupo.
Carlos Germano mostra excelentes condições físicas após exames realizados pelo departamento médico.
Vampeta parece ter machucado o ombro no jogo contra o Chile, mas na verdade foi apenas um susto.
Como já ficou bem claro para o leitor, tudo que foi dito acima é rigorosamente falso. Entretanto, essas hipóteses não foram impossíveis, nem mesmo improváveis. Elas formavam o Brasil, nos planos de Wanderley Luxemburgo.
Depois de visitar o mundo das coisas que não aconteceram, ficamos pensativos. Lá, vive a Seleção Brasileira ‘‘que poderia ter sido e que não foi’’.


VAPT VUPT
A Seleção Brasileira fará mais dois clássicos este ano contra a Argentina - um no Brasil, provavelmente no feriado do dia 7 de setembro, em cidade a ser definida, e o outro em Buenos Aires. Em ambos os jogos, o técnico Wanderley Luxemburgo, assim como o adversário Marcelo Bielsa, escalará a equipe completa.
Será uma dupla oportunidade para as duas seleções desempatarem os confrontos entre elas. Cada uma tem 30 vitórias sobre a outra ao longo da história. Há nove dias, o Brasil venceu a Argentina por 2 a 1, em Ciudad del Este, pelas quartas-de-final da Copa América, e igualou-se ao rival nas estatísticas.
Os desafios contra o grande rival na América do Sul serão antes dos dois jogos diante da Holanda, marcados para outubro - em Amsterdã e em Roterdã -, em datas ainda não definidas. Os holandeses estiveram no Brasil, há pouco mais de um mês, para dois amistosos: em empate por 2 a 2 na Fonte Nova, em Salvador e uma derrota por 3 a 1 no Serra Dourada, em Goiânia.
Acostumados a ter a torcida (quase) inteira, a Seleção Brasileira viu os uruguaios dividirem o Defensores del Chaco ao meio, anteontem. A torcida do Uruguai estava em igual número no estádio de Assunção, mas a animação era muito maior. Os rivais entoavam cânticos - ‘‘Soy Celeste, soy Celeste’’ - a todo instante, antes mesmo de sua seleção entrar em campo. Os brasileiros tentaram improvisar gritos de guerra de clubes, mas não conseguiram a mesma empolgação.
Aos 15 minutos do segundo tempo, a torcida brasileira resolveu fazer uma homenagem aos donos da casa, no Estádio Defensores del Chaco. De repente, quase toda a torcida verde-amarela gritou ‘‘Paraguai, Paraguai’’. O sonho do time colorado era pelo menos disputar a final da Copa América contra o Brasil. Mas os anfitriões foram eliminados pelo próprio Uruguai. Os brasileiros retribuíram o apoio recebido.
No alto do Estádio Defensores del Chaco, uma placa traz mensagem contra a violência no futebol. Para que seja bem compreendida pelos jogadores, a expressão vem em três idiomas: juego limpo (espanhol), fair play (inglês) e naháa potikena (guarani).
Dois manifestantes paraguaios percorreram o estádio da decisão, anteontem, com uma faixa de tom político: ‘‘A dívida de Itaipu é do Brasil’’. Eles não pararam de exibir os dizeres, mesmo depois da vitória brasileira.

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