A vida na terra dos petrodólares
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 2008
Thiago Mossini<br>Equipe da Folha 
Londrina - Cria do terrão corintiano, o atacante Fernando Baiano, 29 anos, é mais um dos brasileiros seduzidos pelos petrodólares do Oriente Médio. O ex-atacante do Corinthians, Inter e Flamengo é um dos membros da legião brasileira comandada pelo técnico Abel Braga no Al Jazira, dos Emirados Árabes.
Na quinta-feira, momentos antes de entrar em campo e fazer dois gols pelo clube em uma partida do campeonato local, ele contou à FOLHA como foi essa mudança para o mundo árabe. Em pleno mês do Ramadã, ele contou como é a convivência com os atletas (a grande maioria) que seguem a religião muçulmana. "Eles jejuam durante o dia e só podem comer depois do sol se pôr e antes dele nascer, portanto alguns atletas chegam para treinar em jejum", contou, lembrando que na Espanha, onde há muitos muçulmanos, já havia tido contato com seguidores. Confira outros trechos da entrevista:
FOLHA - Depois de jogar na Alemanha, Espanha, grandes centros do futebol, o que espera dessa experiência neste novo mercado expoente que é o mundo árabe?
Fernando Baiano - Espero me adaptar o mais rápido possível. Assim, penso em conquistar um título e marcar meu nome nesse clube.
O fato de ter vários brasileiros, incluindo o técnico Abel Braga, foi um incentivo?
Sim. Quando estamos fora do Brasil, é sempre bom atuar ao lado de brasileiros, isso ajuda bastante na adaptação, na relação entre os jogadores em campo. É importante para o grupo crescer, entrosar.
Essa debandada de jogadores para esses países se deve ao grande poder econômico deles. O que está pesando mais hoje em dia, o dinheiro ou a exposição em um grande país?
No meu caso, além, claro, do lado econômico e da tranqüilidade que o país oferece, foi também porque eu já atuei em grandes ligas, competições internacionais, e pela minha idade, achei que estava na hora de mudar de país, viver novas experiências.
Está tendo alguma dificuldade de adaptação, afinal, são muitas diferenças culturais? Comida, idioma, hábitos, religião?
Tive apenas no começo, mas agora está mais tranqüilo. O fato de ter vários brasileiros ajuda bastante. Com relação a comida, aqui a gente encontra de tudo, todos os tipos, não tive dificuldade. A língua já é um pouco mais difícil. Estou aprendendo inglês, que é o que todo mundo fala, para facilitar. O que mais estranhei foi a temperatura. À noite, durante o jogo, chega a ficar em torno de 35 graus. Se fossem de dia (os jogos) seria pior, muito calor.
Teve algum mico por conta disso?
Não, nunca passei por nada constrangedor. Com muitos brasileiros aqui, isso é difícil de acontecer. Todos se ajudam.
Esses dois rebaixamentos seguidos na Espanha, primeiro com o Celta e depois com o Múrcia, prejudicaram sua carreira?
Por incrível que pareça, não. Devido à situação dos dois clubes, tiveram que mudar meu destino. O Celta teve que me vender para o Múrcia, e este me emprestou para os Emirados. Talvez não estaria aqui se estivesse na primeira divisão. Meu último ano no Celta foi a melhor temporada pra mim, fiz 18 gols, e no ano seguinte, no Múrcia, fiz 9.
Você acha que, ao final do empréstimo, pode voltar a um grande clube europeu?
Não penso nisso ainda, mas gostaria de ficar por aqui por muitos anos. Estou gostando muito.
Tem vontade de voltar ao Brasil?
Ah, sim... muita! Quem sabe mais pra frente...
Tem algum carinho especial pelo Corinthians? Pensa em encerrar a carreira no Timão?
Tenho muito carinho pelo Corinthians. Foi o time que me revelou desde as categorias de base. Seria fantástico vestir essa camisa novamente no futuro.


