A verdadeira função do esporte de base
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terça-feira, 07 de julho de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
O jovem Alan Scarelli Santos tem 10 anos. Corintiano assumido, fica óbvio advinhar que seu esporte predileto é o futebol. Quando chega a hora do recreio, no Colégio Estadual Sueli Hideria, onde cursa a 4série do ensino fundamental, costuma jogar bola com os amigos. Depois da aula rumava direto para casa onde passava a tarde toda em frente à televisão, mas como é era muito rebelde não fazia as tarefas escolares.
Há seis meses, a rotina de Alan mudou. O projeto da Associação Comunidade Atos de Vida tem o intuito de ocupar crianças entre 7 e 12 anos que passam a parte da tarde livre. Os encontros ocupam todas às segundas-feiras entre 16h e 17h30, na quadra poliesportiva do Conjunto Vitória Régia (Zona Leste), ensinando a garotada a jogar futsal. Segundo Alexandre Silva, responsável pela proposta, a ideia é ensinar conceitos de comportamento, educação e respeito com o próximo por meio do esporte.
Na avaliação de Angélica Scarelli Costa, mãe do pequeno Alan, além do compromisso semanal que ajudou a educar o garoto, também é importante enfatizar a proposta de integração com outras crianças. ''Ele começou há dois meses, e desde então percebi que agora leva as tarefas escolares mais a sério. Antes o Alan era mais rebelde neste sentido, porque para treinar futsal é importante ter boas notas'', aponta.
Silva ressalta que o pré-requisito é frequentar uma escola e ir bem nos estudos. Além da proposta promover o desenvolvimento das aptidões esportivas dos jovens, também tem como objetivo dificultar o contato com a marginalidade, como o tráfico de drogas.
Há quatro anos em atividade atendendo instituições da Zona Leste, como a Escola Municipal Bartolomeu Gusmão, até agora o futsal foi a única modalidade esportiva oferecida. Porém, para o segundo semestre estão programados treinos de handebol. O professor ressalta que para o nível dos atletas locais existem crianças com potencial para se tornarem atletas profissionais.
Entretanto o resultado mais importante é ouvir dos pais que as aulas de futsal ajudaram a aumentar o respeito e a responsabilidade dos filhos em casa e no colégio. ''Como uma sala de aula é muito grande, talvez os professores não consigam atender todo mundo individualmente. Então, como educador, a gente tenta passar um pouco dos princípios básicos da vida'', ressalta.
Dentre as regras para lidar com os indisciplinados, atitudes como falar palavrões ou brigar com os amigos são punidas com advertência. No primeiro caso, a penalidade se resume a um treino de suspensão. Já no caso das brigas, Silva sublinha que é feito um comunicado aos pais e ao colégio e aplicada uma suspensão maior. ''Depois de um tempo fora do projeto eles retornam para que entendam que a briga foi prejudicial para eles mesmos. Ao invés de apenas falar é importante mostrar de fato os erros e acertos'', considera.
Porém, o mais curioso é que Silva, que também tem problemas para dar continuidade ao projeto, costuma lembrar que os garotos não são os únicos beneficiados pela iniciativa, porque problemas técnicos desanimadores como falta de bolas e uniformes esbarram numa criançada empolgada para ''treinar, jogar bola''. ''Muitas vezes é isto que funciona como estímulo para eu superar as dificuldades e continuar'', desabafa.


