‘A tristeza de alguns é a
alegria de outros, não é?’
Abatido, com a barba por fazer e olhos vermelhos que denunciavam uma noite maldormida, Romário revelou seu drama para o mundo ao chorar em sua última entrevista como jogador da Seleção Brasileira. Aos 32 anos de idade, duas Copas, um título mundial e 11 anos de seleção, o atacante sabia que se despedia para sempre. Ali, identificando na platéia pessoas tristes e alegres com o seu corte, procurou demonstrar otimismo a respeito do seu futuro. Prometeu voltar: ‘‘Isso aqui não vai ser um adeus; eu tenho certeza de que a minha relação com a seleção não acabou’’, finalizou suas declarações, com palavras entrecortadas por lágrimas. E saiu da sala chorando e aplaudido. O restante do depoimento, na íntegra:
‘‘Todos já sabem que aconteceu, né!? Realmente, para mim, é uma tristeza e, por um lado, uma decepção grande, porque menos de 24 horas atrás o meu discurso era totalmente diferente. Era um discurso sobre a minha estréia no dia 10. Infelizmente, as coisas não aconteceram como eu esperava’’.
‘‘Foi feita uma ressonância no domingo, e ontem fiquei sabendo do resultado. Realmente, não foi positivo. Por isso, o meu corte. Particularmente, a tristeza de uns é a alegria de outros, não é? Infelizmente, acontece isso. Eu sei que muitos que estão aqui, talvez até a maioria, principalmente os que me conhecem, estão tristes, como eu estou’’.
‘‘Por outro lado, alguns devem estar muito felizes. Futebol nos proporciona coisas boas e ruins, positivas e negativas. E esse é um momento muito difícil na minha vida. Mas existem coisas que se tornam um sentimento de vida. Talvez eu comece a dar importância para outras coisas. Por outro lado... (interrompe fala com choro). Desculpe, tentei evitar que isso acontecesse, mas faz parte, né!? (volta a chorar)’’.
‘‘Neste momento, é, para mim e para qualquer um, difícil de falar muitas coisas em relação à própria comissão técnica. Mas quero só agradecer a todos na Seleção a oportunidade de ter me tornado o que eu sou’’.

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