A sombra das mangueiras...
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de julho de 2002
Armando Nogueira 
Quando voltei das férias pós-Copa, encontrei algumas mensagens em que leitores paraenses me pediam que prestasse atenção no time do Paysandu. Até a Fafá de Belém chegou a me dar um toque. Não dei muita bola. Estava até aqui, de futebol. Um mês de Copa do Mundo, três jogos por dia, não há quem não saia enfarado.
Finalmente, domingo, vi Paysandu e Palmeiras. Olha, se foi sempre assim ao longo da Copa dos Campeões, o time paraense é o seguinte. Traçou o Palmeiras, bonitinho. Saiu atrás, alvo de um belo gol do canhoto Nenê, mas, ali, mesmo, reagiu com plena autoridade. Empatou, no segundo tempo, embora já mandasse no jogo, bem antes do intervalo.
Ouvi na tevê comentaristas fazendo o diagnóstico equivocado de que o time do Palmeiras, inexplicavelmente, depois do gol, resolveu se encolher. É verdade, mas só um pouquinho. No duro, no duro, o time paulista não se retraiu por atitude tática. Coisa nenhuma. O Paysandu é que o encostou à parede. Se ousasse avançar, certamente, tomaria um gol mais depressa. A crítica convencional costuma simplificar as situações de jogo. Ah, o Palmeiras está complicando sua vida, querendo segurar o resultado antes da hora. Pois sim, o adversário é que o estava emparedando nas cordas da defensiva.
É tão verdadeiro o que estou dizendo que, no segundo tempo, já perdendo, mas ainda não de todo perdido, o time se mandou, em peso, já reforçado de novos atacantes. Fez justamente o que mais queria o time paraense. Dali em diante, cada contra-ataque era mais aterrador que o outro. Acabou em 3 a 1, a torcida em delírio, e o prejuízo poderia ter sido mais alto. Quatro ou cinco.
O Paysandu bailou, à sombra das mangueiras em flor.
Mimado por Deus
Depois vão dizer que implico com o Felipão. Mas eu pergunto: que proveito lhe trará essa infeliz revelação de que Ronaldo portou-se na seleção como um garoto mimado? Pensará o técnico que conta ponto dizer que andou puxando-lhe a orelha, quando o craque dava uma de filho único? Pior, ainda, me parece depreciar, publicamente, o futuro profissional do jogador, louvado no privilégio de tê-lo comandado, dia a dia, durante meses e meses.
Um jornalista até pode, embora não deixe de ser temerário que o faça, sair dizendo que Ronaldo jamais será o mesmo, depois de ter sofrido duas delicadas operações, intercaladas de infindas inatividades. Já o treinador da seleção, esse, amigos, esse nem pode, nem deve falar assim. O peso da palavra de Felipão, pelo menos no momento, só lhe recomenda comedimento.
Por mais bem intencionado que pretenda ter sido, o técnico pisou feio na bola. Cometeu uma leviandade, senão, uma injustiça. Ronaldo não jogou um futebol de sonhos, no mundial, mas ninguém jamais esquecerá o comovente exemplo de obstinação que deu esse moço. Ele sacudiu a poeira de quatro anos de infortúnio. A volta por cima que ninguém dava, ele deu, lindamente.
Felipão talvez tenha razão: Ronaldo é mimado. Só não disse por quem. Mimado por Deus.
Rápidas e rasteiras
Hoje, o São Caetano é unanimidade nacional. No Pacaembu e em todas as poltronas, brasileiras todo mundo estará torcendo por ele, contra o Olímpia, do Paraguai. E ninguém precisa temer a arbitragem. Quem apita a partida é o colombiano Oscar Ruiz. Em matéria de competência, Ruiz é o Colina sul-americano. / / / / / O José Trajano acha que, a qualquer momento, a giratória do Felipão vai soltar os cachorros em cima dos cronistas que o criticaram, antes da Copa. A escalada seria na descendente da hierarquia: primeiro, o pau no lombo de Pelé; depois, Ronaldo e, já-já é a vez da turma da imprensa. Um dos nomes que dava urticárias no Felipão, durante a Copa era o do radialista Milton Neves. A entourage pedia ao homem pra baixar a bola, mas não adiantava. Felipão cuspia fogo no bom Milton.


