A seleção de Parreira empatou uma, na China, e perdeu outra, em Portugal. Não chega a ser preocupante. Nos dias de hoje, jogo amistoso é zero à esquerda. A extrema profissionalização do jogador esvazia qualquer partida em que nada esteja em disputa.
Parreira, com a estrada que tem, sabe que a nova seleção só será montada, mesmo, às vésperas das eliminatórias. Até lá, ele e sua comissão vão se limitar a seguir de perto os passos dos rivais e, naturalmente, a avaliar o rendimento dos selecionáveis brasileiros, sejam os coroados, sejam os coroinhas que estão sempre pintando, graças a Deus, no futebol brasileiro.
Ao mesmo tempo, a vida de uma seleção vai ficando cada dia mais difícil. Os clubes pesos-pesados da Europa estão jogando duro pra levar à mingua o chamado calendário Fifa. O calendário Fifa é uma jogada de Sepp Blatter pra agradar suas bases eleitorais que são as confederações nacionais. Cria datas anuais pra cada seleção sair por aí, faturando. A bronca dos clubes é inteiramente procedente: quem paga uma fortuna ao Ronaldinho não é o Real? Quem paga outra fortuna pelo Crespo não é o Inter? Então, por que cedê-los, de graça, pra jogar amistosos com o único objetivo de engordar as finanças das confederações?
Amistoso de seleção, pode apostar, tem vida curta.
A lição de Pelé
O Brasil é tão bom de bola que não conhece entre-safra: está sempre aparecendo uma garotada que joga o fino. Diego, Robinho, Carlos Alberto, Gil, Kaká, esses são alguns dos rebentos desse berço esplêndido que é o futebol brasileiro. E podem esperar, meus amigos, que outros vão despontar, neste campeonato. Mas, não tem sido fácil a vida desses garotos. Como padecem nos pés insanos dos medíocres.
São todos cristãos novos. Não sabem se defender. Levam pontapés, levam trombadas e não sabem dar troco. Pelé também era assim, no começo. Um dia, o técnico Feola, da seleção, telefonou pra ele, com o seguinte conselho: ''Olha, Pelé, se você não se fizer respeitar, esses sujeitos vão acabar contigo.'' Dali em diante, Pelé não deixou de graça. Sofria uma falta grosseira, no lance seguinte, devolvia em dobro. Na seleção de 70, por exemplo, Pelé foi eleito na concentração o vingador da equipe. ''Ele sabia dar um troco como ninguém'', me conta Carlos Alberto, o capitão do tri.
Bem que o Pelé podia contar pros garotos bons-de-bola como foi que fez pra sobreviver à brutalidade dos ímpios do futebol.
Fumaças de uma corrida
A F-1 de Interlagos vai poder mostrar marca de tabaco nos carros e nos macacões dos pilotos, hoje, no Grande Prêmio Brasil, em Interlagos. Foi decisivo pra liberação o parecer de Ives Gandra Martins, que considera inconstitucional qualquer ato de interdição. Segundo ele, restringir pode, proibir, não pode. Só se pode proibir se a atividade for considerada ilícita, o que não acontece, nem com a venda, nem com o consumo de tabaco.
Mesmo com o respaldo de uma voz abalizada, ainda assim, as escuderias e as marcas de tabaco, a começar da Souza Cruz, não estavam a fim de criar caso com o governo. Só ficaram aliviados quando saiu o ofício em que o ministro Agnelo Queiroz libera marca de tabaco tanto nos carros como nos uniformes. Nada além disso.
Agraciado pela sutil fronteira que distingue proibição de restrição, o Brasil se garante, de vez, na F-1, o que, convertido em verdinhas, pode representar cerca de US$ 100 milhões, que é quanto entra no País toda vez que o grande circo faz um ''pit-stop'' em São Paulo.
Em tempo: a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu que, a partir de 2005, anúncio de cigarros será banido da F-1. Medida que, a meu ver, já vem tarde. Pessoalmente, me considero um militante anti-fumo. O lema da minha pregação é o slogan criado por Otto Lara Resende: ''Troque o vício de fumar pelo vício de não-fumar.''

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