Se profissionalizar no esporte mais popular e tradicional do país não é fácil, mas para as mulheres as dificuldades são ainda maiores. Vencer o preconceito e a falta de apoio financeiro são obstáculos que as atletas precisam superar para fazer carreira no futebol. Barreiras que até mesmo jogadoras que chegaram ao nível de seleção brasileira enfrentam.
Quem consegue adquirir um respaldo maior acaba se tornando referência para muitas outras mulheres. É o caso da atacante Marta, que conquistou o país através do seu talento e foi eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo. Atualmente joga no Western New York Flash, dos EUA, e é a grande inspiração, por exemplo, das jogadoras que fazem parte da equipe feminina do Barec/Londrina.
O time é administrado pela Associação Recreativa Esportiva Londrinense de Futebol Feminino (Arelff) e foi reformulado no início do ano para participar do Campeonato Paranaense. Do total de 24 jogadoras apenas metade é de Londrina.
Luana de Souza é uma das 12 londrinenses do Barec. Ela conta que decidiu que queria ser jogadora de futebol com 16 anos de idade. Aos 21 ainda acredita no esporte e compartilha o sonho de milhares de jovens: chegar à seleção brasileira.
Luana admite que lidar com o preconceito não é fácil. Ela ainda tem também dificuldades para convencer a família da opção pelo esporte. Mas afirma que há outro outro obstáculo maior. ''Acima de tudo, acho que o pior é a questão financeira. O preconceito, a família, a gente supera'', declara a jovem.
Diferente das atletas que vem de outras cidades - que recebem uma ajuda de custo de R$ 400,00 e alojamento - as jogadoras londrinenses do Barec não contam com apoio financeiro. ''Nós estamos buscando ajuda de custo para elas também. O nosso problema é a falta de recursos'', afirma o presidente da Arelff, Ricardo Moura.
Apesar da ajuda financeira, a vida das jogadoras que vieram de fora também não é fácil. ''A gente tem que se superar não só financeiramente, mas psicologicamente'', afirma Érica Vitoriano, que é natural de Cornélio Procópio, mas morava em São Paulo.
Junto com outras seis jogadoras, Érica saiu do Juventus-SP para jogar no time londrinense. Na capital paulista as atletas contavam com uma estrutura bem melhor, mas não tinham ajuda de custo. Aqui pelo menos podem contar com algum dinheiro no fim do mês, mas vivenciam as incertezas de uma equipe que ainda busca apoio do empresariado local para conquistar seu espaço. ''Acho que a gente só não desiste por causa do amor ao esporte e pela amizade que existe entre nós'', declara Érica.
Vencer distâncias é parte do desafio de quem quer sobreviver do esporte e a jogadora Bárbara Sacramento é um bom exemplo disso. Ela também jogava no Juventus, mas é de Sergipe. Por lá, ela conta que as dificuldades para o futebol feminino são ainda piores, por isso teve que partir para conquistar o sonho de ser jogadora. Pelo menos, teve o apoio da família. ''Se não fosse minha família eu não estava aqui'', diz Bárbara.

mockup