Ao som do apito final do árbitro Nilo Neves de Souza Júnior, os jogadores do Londrina correram em direção à torcida, na arquibancada descoberto do Estádio do Café. Subiram no alambrado, foram ovacionados, retribuíram e partiram para a tradicional volta olímpica. Entretanto, no lugar da taça, eles carregaram o técnico Cláudio Tencatti.
O elenco percorreu toda a extensão da pista ao redor do gramado com o treinador nos ombros. Um gesto de gratidão com um profissional, como a maioria deles, que estava em busca da afirmação e do reconhecimento.
Aos 39 anos, Tencatti começa a sair da sombra de Caio Júnior, com quem trabalhou um bom período, para criar a própria história. O título é o primeiro comandando um time profissional do paranaense de Indianópolis (65 km a nordeste de Umuarama), que no ano passado foi campeão estadual Sub-17 e Sub-20 com o Iraty.
''Foi um aprendizado grande e uma missão cumprida. Poderíamos ter terminado em Foz (na última rodada do returno, quando cedeu o empate nos acréscimos), mas seria longe do nosso torcedor, da nossa história'', disse o treinador, visivelmente emocionado e todo ensopado pelo banho de gelo que ganhou.
Ao assumir o clube, em abril, Tencatti disse à FOLHA que sabia que não seria um caminho de flores e sim de muitos espinhos. E foi mesmo, chegou a ser vaiado e xingado pelos torcedores, quando o Londrina caiu um pouco de rendimento. ''Passamos momentos difíceis, de incertezas, mas superamos'', disse.
Assim como ele, outro personagem dessa história sofreu calado. É o camisa 10, Silvinho, que tinha dois motivos para ser o mais cobrado: havia sido rebaixado em 2009 e é irmão do presidente Cláudio Canutto.
Jogador com passagens e conquistas por Internacional, Atlético-PR e pelo futebol japonês, ele confessou o gosto especial pela conquista da Segundona com a camisa alviceleste. ''Tem um gosto especial sim, pelo descenso e por poder dar essa alegria. Sofri muito, muita cobrança. É um momento especial, é maravilhoso poder comemorar em casa'', afirmou o camisa dez, que se emocionou muito. ''Mas também pelo Tencatti. É o primeiro título dele e espero que seja o primeiro de muitos. Soube conduzir muito bem a equipe'', completou Silvinho.
Ele, a exemplo de Ricardinho, deve deixar a equipe e voltar para o interior de São Paulo. ''Encerro essa passagem sendo campeão, mas sem fazer gols'', comentou, lembrando o fato de ter sido o único dos titulares que não marcou, além do goleiro Danilo.
O camisa 1, por sinal, era um dos mais vibrantes nas comemorações. Colecionador de conquistas na Segundona, festejou como se fosse a primeira. ''O coração está batendo muito forte. O Londrina tem muita história, é diferente dos outros'', disse.
Futuro
As comemorações não devem demorar muito tempo. A direção da SM Sports, gestora do futebol alviceleste, já começa a trabalhar na montagem do elenco que disputará o Estadual a partir de janeiro. A ideia é iniciar os trabalhos já em novembro. Hoje, o empresário Sérgio Malucelli, que responde pela empresa, segue para a Suécia para visitar um filho e, de lá, vai para a Turquia, onde encontra o presidente Cláudio Canutto. Os dois selarão a venda do lateral-esquerdo Wendel para o clube turco e uma possível parceria.

mockup