A queda do império
Seul - Na Copa de duas finais, o Brasil ganha a primeira, com a sua mais convincente exibição em cinco partidas. A seleção inglesa deu aos brasileiros o que já sabia de antemão que não podia dar: espaço. E foi justamente esse elemento que Ronaldinho Gaúcho explorou de modo magistral, num contra-ataque fulminante. Ele simplesmente ultrapassou três adversários, um por um, com fintas pros dois lados, até tocar a bola pra Rivaldo, numa reprodução do passe que Pelé deu pra Jairzinho marcar o gol do triunfo sobre essa mesma Inglaterra, há 32 anos.
A seleção brasileira estava tão bem no jogo que não se abalou com a pixotada de Lúcio, matando mal na coxa uma bola profunda que Owen converteria no primeiro gol do jogo. Igualmente louvável o desempenho de Scolari que, privado de Ronaldinho, expulso, ousou de verdade: em vez de fazer entrar alguém que reforçasse a defesa, escalou um atacante Edilson pra aumentar ainda mais a dor de cabeça dos ingleses.
O realce da partida vai pro volante Gilberto Silva: estupendo! Não errou um passe, desarmou com classe, apoiou com lucidez e constância. É o meu craque cinco estrelas de uma partida em que o talento brasileiro, nas suas individualidades, deixou de joelhos o império britânico.
Copa-e-cozinha
- O técnico Giovanni Trapattoni, da seleção italiana, enchia as paredes do vestiário com frases assim: A equipe está acima do indivíduo, não há campeão sem o sacrifício, nosso maior inimigo é a vaidade. Nos velhos tempos, o treinador brasileiro Gentil Cardoso também cobria as paredes do vestiário com preceitos de sua própria lavra: Quem desloca recebe; quem pede tem preferência. Acontece que, às vezes, os jogadores não acreditam nem no técnico nem nas paredes.
- Os jogos da Copa têm levado muita gente aos hospitais coreanos, com problema de coração. Já morreu torcedor. O assunto nos remete à célebre frase do treinador escocês Bill Shankley, por sinal já morto. Shankley dirigia o Liverpool. Um dia, depois de uma partida, ele foi internado, com isquemia. O médico deu-lhe, então, um conselho: Mister Shankley, o senhor já fez 60 anos. Chegou a hora de se aposentar. Afinal, o futebol não é uma questão de vida ou morte. Shankley respondeu, deixando pra história, a seguinte declaração: O senhor tem toda razão: o futebol não é uma questão de vida ou morte; é muito mais que isso.
- A crônica do mundial está cheia de desfechos desconcertantes, a provar que o futebol é um tanto regido pela lógica do erro. Em 50, tem que dar Brasil, dá Uruguai. Quando se espera que dê Hungria, dá Alemanha, em 54. A Holanda empolga a Copa inteira e acaba tragada pela Alemanha, em 74. Depois, o Brasil, com uma equipe espetacular, é despachado do mundial de 82 por uma Itália sumamente medíocre. Daí, a feliz declaração de Rudi Voeller, hoje técnico da seleção alemã: Se o melhor time ganhasse sempre, o Brasil não seria campeão só quatro vezes; seria 14 vezes.
- Os internautas brasileiros, estimulados pelo Sportv, elegeram os cinco mais belos gols do mundial, na primeira fase. Em primeiro, o gol de Rivaldo, contra a Bélgica, com 73%; em segundo, o gol do senegalês Camara, contra a Suécia, com 22%; em terceiro, o do inglês Heskey, contra a Dinamarca: 2,9%; em quarto, Mc Bride, dos Estados Unidos, contra o México; em quinto, o do alemão Neuville no jogo Alemanha x Paraguai: zero voto.
CLASSIFICAÇÃO
Pilotos
1º Michael Schumacher - 70
2º Ralf Schumacher
e Juan Pablo Montoya - 27
4º David Coulthard - 26
5º Rubens Barrichello - 16
6º Jenson Button - 8
7º Kimi Raikkonen - 7
8º Giancarlo Fisichella - 6
9º Nick Heidfeld - 5
10º Jarno Trulli - 4
11º Eddie Irvine
e Felipe Massa - 3
13º Mark Webber,
Mika Salo
e Heinz-Harald Frentzen - 2
Construtores
1º Ferrari - 86
2º Williams - 54
3º McLaren - 33
4º Renault - 12
5º Sauber - 8
6º Jordan - 6
7º Jaguar - 3
8º Minardi,
Toyota
e Arrows - 2





