A primeira cesta brasileira na NBA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Rafael Souza<BR> Especial para a FOLHA 
Após alguns anos de problemas dentro e fora das quadras, a seleção brasileira volta a figurar entre as favoritas para brigar por medalhas em um Campeonato Mundial de Basquete. Graças à chegada de Rubén Magnano, treinador referência mundial, mas principalmente, por poder contar com os astros que atuam fora do país: Leandrinho, Anderson Varejão e Tiago Splitter (recém-contratado), todos da NBA - Nenê Hilário foi cortado em virtude de uma lesão.
Jogar na liga norte-americana sempre foi uma referência. Ainda são poucos os brasileiros que alcançaram as cestas da maior liga de basquete de mundo, ao todo oito brazucas, incluindo Splitter, que jogará sua primeira temporada pelo San Antonio Spurs após o Mundial da Turquia.
Mas um deles é especial. Isso porque foi o primeiro, numa época em que o preconceito impedia muitos bons estrangeiros de mostrar talento na NBA. Rolando Ferreira Junior, paranaense da capital Curitiba, chegou ao Portland Trail Blazers em 1988, jogou 12 partidas e marcou seu nome na história do basquete brasileiro.
O pivô de 2m14 chegou ao time da Conferência Oeste americana depois de treinar por dois anos na Universidade de Houston e se destacar no draft (espécie de vestibular para os novatos da liga). ''Foi um desafio e tanto para um jovem de 24 anos. Procurei aproveitar cada momento. Tive muitas dificuldades no início, mas no geral foi bastante positivo'', contou o ex-jogador.
A passagem pelo melhor basquete do mundo lhe rendeu uma vaga na seleção brasileira, onde atuou por 12 anos (1985 a 97). Dentre as glórias de sua carreira, Rolando de orgulha de ter participado de um dos títulos mais expressivos da história do esporte da bola laranja no Brasil, o de campeão pan-americano de 1987, em Indianápolis, derrubando a seleção americana pela primeira vez em casa.
''Foi sensacional fazer parte daquela equipe, sem dúvida uma das melhores da história. Jogar ao lado de grandes nomes como Oscar, Marcel e tantos outros, foi o ápice. É um feito que ficará marcado para sempre em nossas memórias'', resumiu o ex-pivô, que também participou das Olimpíadas de Seul (1988) e Barcelona (1992).
Formação de talentos
Depois de encerrar a carreira em 2001, Rolando voltou para Curitiba, onde se formou em Educação Física e assumiu a responsabilidade de formar novos talentos para o basquete brasileiro. Entre as aulas e os treinos para os times do Colégio Medianeira e do clube Duque de Caxias, onde é o treinador, o ex-jogador aproveita para matar a saudade da época de jogador e acompanha de perto o noticiário da seleção do técnico Magnano.
Para ele, a ''nova'' seleção tem tudo para fazer bonito no Mundial da Turquia, que começa sábado. Ele aposta no currículo do novo treinador, campeão olímpico com a Argentina em 2004, para o Brasil voltar colocado entre os melhores do mundo no basquete.
''Precisamos treinar e montar um time. Só com bons jogadores não formaremos um conjunto e basquetebol é um esporte coletivo. Creio que estamos num bom caminho, pois o técnico já demonstrou ser capaz em outras ocasiões'', frisou. ''Se ficarmos entre os oito primeiros já será um bom resultado'', completou.
Além disso, Rolando acredita que os jogadores também podem fazer a diferença a favor do Brasil dentro de quadra. ''Essa geração é a melhor dos últimos anos. A presença dos jogadores 'estrangeiros' será muito importante, pois, além da técnica, eles têm muita experiência e vão ajudar os mais novos'', analisou.


