São Paulo, 12 (AE) - Ronaldo acostumou-se a crescer rápido: na carreira, no patrimônio e no físico. A evolução espetacular de seu futebol, dos tempos do pequeno São Cristóvão, do Rio, no início da década de 90, passando pelo Cruzeiro, de Belo Horizonte, e conquistando a Europa no PSV Eindhoven, da Holanda, Barcelona, da Espanha, e Internazionale de Milão, da Itália, foi uma história empolgante do esporte.
Campeão mundial pela seleção brasileira aos 17 anos, mesmo sem atuar numa só partida da Copa de 1994, Ronaldo passou a ser o garoto milionário, eleito o melhor jogador do mundo das temporadas de 1996 e 97. Tornou-se garoto propaganda da Nike, um símbolo de sucesso. Era o tipo da fábula de final feliz. Mesmo sem manter uma sequência de grandes atuações há quase dois anos - desde a fatídica convulsão de 98 -, é notícia quando assina novo contrato de publicidade, visita Kosovo, rompe com uma namorada, casa com outra e ganha um filho.
Aos 23 anos, o Fenômeno é jovem demais para idealizar um final feliz ou infeliz de sua história. Mas ele e seus empresários podem estar diante de uma advertência, depois de terem abusado da galinha dos ovos de ouro.
É só acompanhar as fotos da evolução física do jogador e verificar como mudou o corpo do menino Dadado, terceiro filho de uma família de classe média baixa do subúrbio de Bento Ribeiro, no Rio. Quando bebê, Ronaldo demorou para começar a falar: pronunciou as primeiras palavras só aos 4 anos, mas já gostava de chutar bola no quintal. Começou a jogar futebol de salão no Valqueire, perto de sua casa, aos 10 anos. Depois, defendeu o Social Ramos Clube. Passou para o futebol de campo no São Cristóvão, um clube decadente que chegou a ser campeão carioca em 1926, e seu físico
embora longe de franzino, não tinha grande massa muscular. Agilidade e talento eram o forte de Dadado: sorte de seus empresários, que começaram a ganhar dinheiro levando-o, no começo de 93, para o Cruzeiro.
Rumo à consagração - A convocação para a Copa de 94 abriu caminho para a consagração. O PSV levou-o para a Holanda, por US$ 6 milhões. O sucesso foi consolidado no Barcelona, em 96. Em 97, a vida do craque começou a ficar tumultuada: preferia continuar na Espanha, mas aceitou ir para a Internazionale, da Itália, por melhores salários. Seu físico ganhava novas mudanças
com os joelhos obrigados a suportar uma pesada massa muscular, consequência do tipo de treinos, alimentação e uso de reforço vitamínico.
Já em fevereiro de 96, Ronaldo teve de operar o joelho direito. Seu problema era uma doença de nome complicado, Osgood Schlatter, consequência do fato de ter atuado muito tempo em pisos duros de futebol de salão, quando garoto. Naquele tempo, Ronaldo já havia recorrido ao fisioterapeuta Nílton Petrone, o Filé, que tem uma clínica no Rio.
Na Copa de 98, ele foi considerado "gordo": o excesso de peso prejudicou-lhe o desempenho. Em seguida, ficou meses tentando explicar a convulsão e culpando a imprensa, mas nunca mais voltou a ser um autêntico goleador. A nova lesão, em Roma, parece tragédia. Ronaldo e os que o cercam podem, porém, aprender a lição, mudar de estilo e mostrar que o craque não acabou. O sacrifício terá de ser grande.
(Luiz Carlos Ramos é autor, juntamente com o também jornalista Braz Henrique e o escritor Luiz Puntel, do livro "Carrasco de goleiros", biografia não autorizada de Ronaldo, lançada em 98.)

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