A prata que reluziu nas ruas de Assaí
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Assaí - Quem brilhou ontem nas ruas de Assaí nem imaginava que um dia desfilaria em carro de Corpo de Bombeiros. O sonho de ser jogadora de futebol, vestir a camisa de um grande clube e quem sabe chegar à seleção brasileira, parecia tão distante quanto à cidade que presenciou sua maior conquista. Renata Aparecida da Costa, 18 anos, medalhista nos Jogos Olímpicos de Atenas, é a prata que resplandeceu ontem em Assaí. ''Nunca pensei que pudesse chegar tão longe, disputar uma Olimpíada pela seleção e ganhar uma medalha. Me sinto realizada e agradecida com o carinho da cidade'', contou Renata, que se emocionou com a homenagem que recebeu dos alunos de seis escolas da rede municipal de ensino.
Durante o desfile, sempre acompanhada por um coro de crianças, e uma fanfarra mirim, que ditava o ritmo da carreata pela Avenida Rio de Janeiro, Renata dosava momentos de alegria, com gestos de carinho, e atenção, quando distribuiu paciência para atender todos os pedidos de autógrafos, primeiro indicativo de que se tratava de uma celebridade, ainda que local. Ver a cidade do alto, não era novidade. Quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana (2003), ela experimentara a sensação de desfilar em caminhão de Corpo de Bombeiros. A incredulidade de quem até pouco tempo era uma anônima da cidade, no entanto, é marca constante em cada pensamento produzido. ''Nossa, foi tudo muito rápido'', disse.
Na seleção já foram 18 convocações desde 2001 ela recebeu o apelido de Kóki, já que eram raras as vezes que usava o cabelo solto. Se ontem o dia foi de alegria, Renata viveu um período de incertezas durante os jogos. Logo na estréia, contra a Austrália, teve uma fratura de menisco no joelho esquerdo, aos 13 minutos do primeiro tempo. Usou cadeira de rodas. A fisioterapia foi sua principal companhia. ''Foi horrível, logo depois da contusão pensei: será que vou ter que ir embora?'', lembrou. Com a contusão, perdeu a condição de titular da equipe. Parcialmente recuperada, atuou em mais três jogos, contra México, Suécia e na decisão, diante dos EUA.
As norte-americanas eram as grandes favoritas, haviam derrotado as brasileiras por 2 a 0, na primeira fase. O Brasil, porém, jogou melhor e chutou duas bolas da trave adversária. Na prorrogação, com um gol de cabeça, as norte-americanas conquistaram o bicampeonato olímpico vencendo por 2 a 1. No vestiário, mesmo com um clima de frustração pairando no ar, Renata guardou com carinho as palavras de incentivo do técnico Renê Simões. ''Ele fez questão de tranquilizar todo mundo e disse: 'olha pelo que o time apresentou, a gente é ouro. Perdemos no campo, mas também somos vencedores'', contou.
Como jogou pouco, Renata não teve a mesma sorte de algumas colegas, que já assinaram contrato com clubes do exterior. Apesar disso, a volante não desanima. ''Acho que poderia ter mostrado o meu futebol, mas sei que sou nova, e é isso que não me faz desanimar.'' Natural de Assaí, onde deu os primeiros passos em uma equipe de futsal masculina, treinada pelo pai, Renata lamenta a falta de calendário que aflige a modalidade no País. ''Se você não consegue contrato pra fora, vai ficar parada'', disse.
Ontem, ela confirmou que disputará a próxima Taça Paraná pela equipe da Portuguesa Londrinense. Renata ainda tem um compromisso verbal com o Santos para a disputa do Campeonato Paulista.


