Curitiba - Ela é baixinha, muitas vezes de poucas palavras e carrega sempre um olhar pensativo, principalmente nos momentos que antecedem seus surpreendentes movimentos, executados na perfeição em questão de segundos. Daiane dos Santos é hoje a maior ginasta no aparelho solo do mundo e a maior aposta de medalha de ouro na equipe brasileira de ginástica olímpica que vai para Atenas disputar a Olimpíada.
Daiane começou tarde para quem normalmente tem como objetivo ser um atleta olímpico, principalmente na ginástica. Ela foi descoberta, aos 11 anos, em 1995, quando brincava em um trampolim na praça do Centro Esportivo do bairro em que morava, em Porto Alegre. Sua força física e estrutura muscular chamou a atenção da técnica Cleuza de Paula, que fez um teste com Daiane e, apenas dois meses depois, a garotinha obteve seu primeiro triunfo.
De lá pra cá foram 110 medalhas e 18 troféus. Entretanto, os mais importantes vieram neste ano e no ano passado, quando Daiane conquistou medalhas de ouro em etapas da Copa do Mundo de Ginástica e foi homenageada pela Federação Internacional de Ginástica, que batizou o movimento duplo twist carpado com o nome ''Dos Santos'', pelo fato do mesmo nunca ter sido antes executado. Isso tudo a levou para o topo do ranking mundial no solo, sua especialidade.
Porém, Daiane precisou superar grandes obstáculos antes de chegar a ser a número um. Sempre na sombra das boas execuções de Daniele Hypólito, Daiane teve em 2002 uma ruptura no tendão patelar do joelho esquerdo e passou por fisioterapia após cirurgia. No ano passado, antes dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, ela passou por outra operação, dessa vez no joelho direito.
Mas, perseverante, e sob a tutela do técnico ucraniano Oleg Ostapenko, Daiane deu a volta por cima e é a grande favorita para a conquista da medalha de ouro no aparelho solo de mais uma etapa da Copa do Mundo de Ginástica, que começa hoje no Rio de Janeiro.
Durante uma breve passagem por Curitiba, na semana passada, ela falou rapidamente sobre o que vem pela frente, enquanto fazia um tratamento de prevenção no joelho direito.
A atleta afirmou que as dificuldades em Atenas não estarão apenas no bom nível técnico das adversárias e sim na apresentação perfeita de sua coreografia. ''Todas as coisas são difíceis, tudo, as competições. Mas vou tentar levar minha série o melhor que posso, é o que posso fazer''. A atleta também prevê quem serão as principais oponentes. ''Tem a Catalina (Ponor), da Romênia e a Elena (Gomez), da Espanha.''
Sobre sua maior arma, o movimento ''Dos Santos'', ela diz que ainda deve surpreender, principalmente porque sua coreografia será executada ao som de ''Brasileirinho'', em ritmo nada ortodoxo para esse tipo de competição. Daiane disse que é difícil explicar mas demorou um ano para aprender todo o movimento. ''Tenho dois movimentos, o esticado e o carpado. O técnico faz todo um trabalho antes para eu fazer o movimento. É difícil explicar porque é muito técnico''.
De acordo com Daiane, hoje a ginástica brasileira é vista com mais respeito no cenário internacional. ''Toda a estrutura fez com que o Brasil evoluísse, os técnicos que vieram, a união das meninas . Mudou o tratamento do público, não por causa dos resultados, mas por causa da evolução que a ginástica teve. Hoje o Brasil é mais é mais conhecido.''
Apesar de não apostar numa medalha para a equipe brasileira, Daiane disse estar preparada para subir no lugar mais alto do pódio, diferente de outros anos. ''A equipe não pode trazer uma medalha de ouro. Eu tenho condições de trazer a medalha de ouro mas é algo muito difícil de acontecer, vai depender na hora.''


PERFIL

Nome: Daiane Garcia dos Santos
Data da nascimento: 10/02/1983
Local: Porto Alegre
Altura: 1,45m
Peso: 41 quilos
Medalhas: Ouro no solo na Copa do Mundo (Alemanha, em novembro/03), ouro no solo no Campeonato Mundial (EUA, em agosto/03), bronze por equipe nos Jogos Pan-Americanos de 2003, ouro no salto no Campeonato Brasileiro (2003), ouro no solo no Campeonato Pan Americano (2001), bronze por equipe no Pan-Americano de 1999, bronze no solo no Pan-Americano (99), prata no salto no Pan-Americano (99), ouro no salto e no solo na Copa Canberra (Austrália/98), ouro no salto nos Jogos Sul-Americanos (Venezuela/98)

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