Cada louco com a sua mania ou cada fanático com a sua crença. Neste caso, é cada colecionador com as suas raridades. Enquanto tem gente que morre de amores por um carro antigo e outros que não vendem por nada um relógio de bolso ou um baú que já foi do bisavô, há aqueles que se dedicam, nos mínimos detalhes, à arte de colecionar objetos.
Os mais comuns são os que se dedicam a antiguidades e também os filatelistas (colecionadores de selos) e numismatas (de cédulas e moedas). No mundo dos esportes não é difícil encontrar os fanáticos por álbuns de figurinhas de times e seleções.
Mas um grupo desconhecido vem se firmando num ramo bastante específico: coleção de cartões-postais, e somente de estádios de futebol. São os chamados copeístas. Em Londrina, o gerente de supermercado Marcelo Vieira Teixeira, 42 anos, é um deles. Ele iniciou sua coleção há 21 anos e tem hoje cerca de 1.250 postais diferentes. Troca correspondências mensais com colecionadores do outro lado do mundo e está sempre renovando seu acervo.
Entre as raridades da sua coleção, Teixeira mostrou com orgulho à reportagem um postal de 1960 do Estádio Nuevo Colombino, do Recreativo Huelva - da Primeira Divisão espanhola -, que já passou pelas mãos de outros dois colecionadores, cujos nomes aparecem carimbados no verso. Primeiro, foi do espanhol J.J. García Oliván, de Zaragoza; depois foi do paulistano Paulo Augusto Rodrigues. ''Foi um dos primeiros cartões da minha coleção, juntamente com outro do Maracanã, de 1971, que ganhei de um amigo que sabia que eu amava futebol'', lembra Teixeira.
O gerente conta que já tinha alguns postais - a maioria deles do Maracanã e do Estádio do Café - quando leu uma reportagem da revista Placar, de 1986, que anunciava a criação da Sociedade de Colecionadores de Postais de Estádios (Socope), em São Paulo. O fundador, Leonardo Romano, dono de um acervo de mais de 4,5 mil exemplares, é até hoje o presidente da entidade.
A Socope tem aproximadamente 100 associados no Brasil, sendo oito do Paraná. ''Não os conheço pessoalmente, porque nunca vou aos encontros por falta de tempo, mas sei que existem seis em Curitiba e um em Maringá'', informou Teixeira.
Desde que se associou à entidade, o londrinense passou a receber boletins com as novidades do ''mercado'' e teve o seu nome divulgado em lista para o resto do Brasil e também para o exterior. ''Foi dessa forma que recebi contatos de colecionadores da Europa e passamos a trocar postais todo mês. O intercâmbio é fundamental na nossa atividade'', ensina Teixeira, que raramente compra os postais (que custam entre R$ 2 e R$ 8 para os adeptos). ''Prefiro ampliar meu acervo por meio de trocas. Recebo cartas de correspondentes em Portugal, na Espanha e de outros lugares do Brasil. Eles me mandam dez postais de campos das suas regiões e na sequência os retribuo com dez que tenho repetidos'', explicou.

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