A seleção brasileira joga contra o Japão nesta segunda-feira, às 14 horas, em confronto mata-mata pela Copa do Mundo, em busca de vaga nas oitavas de final da competição. A seleção japonesa chega com esperanças de um resultado positivo, após boa performance na fase de grupos, gerando expectativa em um país que desde sua estreia em Copas, em 1998, não ficou de fora da competição e alcançou as oitavas de final quatro vezes.

A evolução do futebol japonês é exponencial desde o final do século XX, com constantes participações na Copa e bons jogadores. Maria Nívia Silva das Virgens Hori, 54, foi ao Japão em 1991 e morou por 20 anos. Lá vivenciou o processo de profissionalização do futebol japonês e a importância dos brasileiros nesse processo.

"Morávamos em Shimizu, e o time de lá tinha muitos jogadores brasileiros. Então, tinha aquele encantamento inicial. O Zico naquela tentativa de profissionalizar o futebol, e teve experiências do pessoal ficar pedindo para escrever cartinhas em português para entregar para os jogadores. Escrevíamos as cartas, e as filhas das minhas colegas de trabalho, que eram japonesas levavam para entregar para eles (jogadores brasileiros)."

Os filhos de Nívia, Roberto Saiki Hori, 26, e Lívia Yukaki Hori, 22, nasceram no Japão e possuem muito carinho pelo país, como afirma Saiki. "Grande parte da nossa infância foi no Japão, então, esse é um dos motivos do porquê a gente tem um vínculo tão forte. Tenho muitas amizades, uma memória muito afetiva com o país."

Os jovens também afirmam que torcerão para o Japão no confronto desta segunda-feira. "Estou torcendo para o Japão. Qualquer um dos dois que ganhar está ótimo, mas queria que fosse o Japão", diz Roberto Saiki.

Lívia falou sobre sua paixão por futebol e a mudança no comportamento e expectativa da torcida japonesa, que a surpreenderam positivamente. "Entre nós, a que mais acompanha futebol sou eu, gosto muito de assistir. Na minha infância, gostava de jogar. Hoje, não só os japoneses, mas os próprios brasileiros viram essa diferença. É uma reflexão que sempre tenho no dia a dia em relação à cultura brasileira e japonesa, mas que na Copa amplifica muito mais esse sentimento."

Ela também fala da evolução na qualidade técnica dos jogadores japoneses e como isso influenciou a torcida. "Claro que sempre teve a paixão, mas agora está muito maior, porque a gente vê a possibilidade de realmente ganhar. É algo que aflorou tanto em mim quanto nos outros."

MUDANÇAS CULTURAIS

Maria Nívia também falou das diferenças culturais entre Brasil e Japão e a mudança ao longo do tempo, com a evolução do esporte no país, até participar da Copa de 1998. "Cheguei no início da formação da liga japonesa, em 1991, mas o profissional mesmo do Japão iniciou em 1993, com os primeiros jogos oficiais da J-League. E naquele momento era visível o encantamento das pessoas pelo Zico, especialmente. Quando teve jogo da Copa entre Brasil e Japão, em 2006, os japoneses na fábrica onde nós trabalhávamos, sempre ficavam brincando: 'Vocês são brasileiros, mas estão aqui no nosso país. Para quem vocês vão torcer?' Em um tom de brincadeira e de provocação ao mesmo tempo."

A mãe também explicou o carinho que sente pelos dois países e o que espera da partida de segunda-feira. "É claro que essa ligação nossa com a cultura japonesa, com o próprio país, deixa esse sentimento de estar dividido, e para quem a gente quer torcer. Mas no fundo desejo mesmo é que seja um jogo bonito, tanto do lado do Brasil quanto do Japão, mas que haja respeito. Mas de qualquer maneira dá um sentimento ruim assim quando a gente vê o Brasil fazendo um gol e os japoneses ficando tristes, o que a gente queria é que os dois estivessem juntos ali ganhando."

* estagiário, sob supervisão de Claudemir Scalone (editor)

mockup