A morte de Senna contribuiu para o aumento da segurança da F-1
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 30 (AE) - No último GP do Brasil, em Interlagos, Ricardo Zonta sofreu grave acidente ao colidir sua BAR 01 de lado contra a grade de proteção da curva Laranjinha. Ele teve oito tendões do pé esquerdo rompidos no choque, ocorrido a 178 km/h. Se o cockpit da sua BAR fosse construído ainda de acordo com o regulamento técnico de 1994, ano da morte de Senna, as chances de Zonta ter sofrido lesões também na coluna cervical seriam grandes, pela dinâmica do impacto. Fissuras ou fraturas dessas vértebras provocam, em geral, consequências sérias na mobilidade do indivíduo.
Não há dúvida de que a proteção lateral do cockpit, construído com um material capaz de absorver parte da energia do choque, ajudou muito a que Zonta se ferisse apenas no pé. Há dezenas de outros exemplos de pilotos que saíram ilesos de acidentes sérios por causa das modificações que as tragédias de Ímola geraram na Fórmula 1. A morte de Ayrton Senna levou pilotos e dirigentes a repensarem a segurança do espetáculo como um todo, esquecida em razão de o último acidente fatal na Fórmula 1, antes de 1994, ter ocorrido no distante ano de 1986.
O mais importante é que a mentalidade dos profissionais responsáveis pela segurança dos carros e circuitos mudou. As soluções passaram a ser o resultado de estudos aprofundados. Hoje participam das decisões sobre novas medidas de segurança o doutor Sid Watkins, médico-chefe da Fórmula 1, e várias empresas contratadas pela FIA para ensaios de algumas soluções ainda experimentais. O air bag, por exemplo, há três anos está sendo pesquisado.
Os próprios pilotos têm hoje voz bem mais ativa na condução da política sobre segurança. Já na corrida seguinte à morte de Senna, em Mônaco, a classe recriou sua associação, a Grand Prix Drivers Association (GPDA), extinta logo depois do abandono de carreira de Jackie Stewart, em 1973. Ninguém duvida também de que a crescente escalada de exigências dos crash tests, ou testes de resistência dos carros, exigidos pela FIA antes do campeonato iniciar-se, são o resultado do despertar provocado pelo fatídico GP de San Marino de 1994.
Não há também um único circuito do calendário da Fórmula 1 que não tenha sido revisto e modificado depois de Imola 1994. Houve um aumento considerável das áreas de escape das curvas. O muro da Tamburello mostrou-se equivocado no acidente de Senna. Não é tudo: novas zebras, mais baixas e avançadas, foram desenvolvidas e a FIA anunciou estar na fase de conclusão dos testes com um novo e sofisticado material, para revestir muros e grades de proteção, bem mais eficiente que os pneus, hoje em uso, para absorver os impactos. //FIM/REP/REDAEESP/


