São Paulo - João Derly tem dois títulos mundiais, mas nenhuma medalha olímpica. Nos Jogos de Pequim, em 2008, era o favorito na categoria meio leve (até 66kg), mas fracassou. No ano passado, mudou para o peso leve (até 73kg) e, na luta pela vaga na seleção brasileira, em dezembro, machucou o joelho esquerdo e foi parar na mesa de cirurgia.
Só com o físico em ordem e muita técnica ele poderá continuar sonhando em disputar os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Mas João Derly diz estar preparado para o desafio. Serão longos os meses de recuperação. Segundo os médicos que reconstruíram os ligamentos do joelho esquerdo, o judoca só deverá voltar a competir em julho.
Assim, ele ficará fora das competições e também perderá a chance de pontuar no ranking mundial, que vai definir os nomes que vão lutar o torneio olímpico em Londres. Ao contrário de outras lesões, essa veio em um momento que não lhe causa grande preocupação.
''Essa lesão acho que foi no limite. Se fosse mais para frente, seria impossível mesmo pensar em Londres'', admitiu o judoca de 28 anos. ''Tenho ainda bastante lenha para queimar, mas agora só quero pensar na minha recuperação.''
Para a Olimpíada de 2012, a Federação Internacional de Judô (FIJ) mudou o sistema de escolha. Não são mais os países que têm a vaga. Os 22 melhores judocas do ranking no masculino entram com os pontos obtidos na Copa do Mundo, no Grand Prix, no Grand Slam, no Masters, no Mundial e nos torneios continentais. Entre as mulheres, as vagas serão para as 14 melhores.
O que pode amenizar os problemas de João Derly é o sistema de pontuação. No primeiro ano, entre maio de 2010 e abril de 2011, cada resultado renderá só 50% do valor dos pontos indicados para cada evento da FIJ. A pontuação máxima só passará a valer entre maio de 2011 e abril de 2012. E é nesse período que João Derly pretende lutar bem para garantir a vaga.
''Quando voltar, vou me dedicar primeiro à minha adaptação ao peso (leve), porque não deu tempo de ficar à vontade. Tenho de ir com calma, mas o sistema de pontuação me deixa mais confiante. Vou voltar com tudo'', prometeu o judoca, que dificilmente lutará no Mundial do Japão, em setembro.
Um ponto em que João Derly precisa evoluir é a estratégia de luta. A abolição das catadas de pernas no judô, a principal arma dele na conquista dos títulos mundiais no Cairo/2005 e no Rio/2007, o prejudicou, mas ele diz que com calma vai buscar saídas. ''Ainda não parei para pensar, porque não adianta. Tenho de dar um passo por vez. Irei focar nisso só quando eu voltar'', explicou.
Fora de combate, o judoca vive uma situação anormal. ''É estranho. A gente vive competindo e com saudades de casa. Dessa vez, sou obrigado a ficar em casa''.

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