Se você acha que ter 70 anos é um empecilho para a prática de esportes precisa conhecer vários ''velhinhos'' descendentes de japoneses que não largam de forma alguma o ''vício'' sadio pelo beisebol. Na semana passada, a Folha teve contato com alguns deles durante o tradicional Torneio Takeshi Sugeta de Beisebol, que reuniu jogadores de diferentes gerações do Paraná nos campos da sede campestre da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel).
O torneio, criado para homenagear o londrinense Takeshi Sugeta, pioneiro do beisebol no Norte do Paraná e um dos melhores técnicos do Brasil entre as décadas de 50 e 70, promoveu o reencontro de atletas que fizeram época na seleção brasileira nos anos 60 e 70. Divertidos e cheios de vigor, eles travaram bons duelos na categoria superveterano ouro, para atletas acima de 54 anos.
Fora das disputas e observando de fora do campo, um velhinho simpático chamava a atenção pela idade, ainda que disfarçada pelo uso do uniforme e do boné. Era Iostodeni Nii, 79 anos, que leva a sério o trabalho como auxiliar técnico da equipe infantil masculina de Presidente Prudente (SP).
Filho de imigrantes, Nii nasceu em Presidente Bernardes (SP) e jogou beisebol até os 37 anos. Parou por alguns anos e retomou o taco depois dos 40 para jogar softbol, modalidade mais leve na qual competiu até os 70 anos. ''Como hoje têm poucos da minha idade, não jogo mais com os veteranos. Mas de vez em quando a gente brinca no campo, porque esporte é bom em qualquer idade'', recomendou.
Nii diz que gosta de todos os esportes (jogou também futebol amador até os 22 anos) e que não costuma perder partidas importantes na tevê. ''Gosto de assistir basquete, vôlei, futebol, corrida de carro, enfim gosto de tudo'', afirmou o sorridente velhinho, enquanto saboreava bolinhos de moti (feitos de massa de arroz com feijão doce). ''Quer provar para ver como é bom?'', ofereceu ele à reportagem.
Acompanhando a conversa com Nii, o diretor de beisebol da Acel, Miguel Nishihara, ficou surpreso com a saúde do ''vovô'' de Presidente Prudente. ''A lucidez dele é impressionante. Por aí você vê a importância da prática do esporte como fonte de longevidade e disposição para as pessoas. E o beisebol mantém esse pessoal ativo'', ressaltou Nishihara.
Se a cidade de Prudente tem um veterano na sua comissão técnica, a Acel, em Londrina, também não dispensa os sábios ensinamentos de José Itinose, 71 anos, conhecido como ''Baiano'', apesar de ser descendente de japonês. Com as mãos calejadas e as marcas do trabalho rural nas unhas, Itinose larga todos os finais de semana a lida na roça (tem um sítio de café) para se dedicar aos treinos de beisebol da categoria 6/8 anos da Acel. ''Eu não consigo largar isso aqui não. Faz um bem danado e é parte da minha vida'', afirmou.

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