A jóia do penta
Seul Tenho a vida repleta de finais. Ao todo, são 15, com esta de 2002. Até hoje, não me lembro de ter parado um instante sequer pra pensar em táticas. Final de Copa, mando solenemente às favas a ciência do jogo. Num momento como este que estou vivendo, agora, neste memorável fim de mundo, quero mesmo é perder o fôlego. Quero mesmo é delirar com um drible de Ronaldinho Gaúcho, num gesto radioso de matar de inveja a própria aurora boreal.
Passei a Copa inteira dividido entre dois pensamentos: ora, acreditava, logo depois, duvidava. A seleção sempre me surpreendia, alternando bons e maus momentos. Desconjuntada, coletivamente e, de repente, luminosa, individualmente. Felizmente, o que sempre acaba salvando a pátria é o jeitinho brasileiro, essa irresistível parábola da alma do nosso povo. A saga brasileira nos mundiais não fala de outra coisa a não ser do sopro divino que transforma em obra de arte o gesto singelo de chutar uma bola.
Os nossos heróis de ontem escreveram paginas épicas que os heróis de hoje acabam de honrar, devolvendo ao futebol brasileiro a hegemonia perdida, na ultima hora do mundial de 98.
Como acontece na maioria das finais, a decisão não chegou a ser emocionante. As duas equipes como que congelaram a bola tornando o clima da partida nitidamente glacial. Abem da verdade a final não chegou a se nivelar a decisão da véspera jogada entre duas monumentais zebras.
Pro bem do futebol fez-se a luz em duas jogadas soberbas de Rivaldo que até então era uma sombra em campo. Em 45 segundos de inspiração, porém, ele selaria a partida com duas centelhas. Contra a luz do segundo gol que ofereceu a Ronaldo a chance de marcar entra na história da Copa como a mais reluzente jóia da coroa do penta. É a faisca do craque. É o jeitnho brasileiro de ser feliz.





