O técnico do Palmeiras é o mais vitorioso do passado recente no futebol brasileiro. Isso não se discute. E quase foi parar na Seleção Brasileira. Para muitos palmeirenses, é o maior da história do clube. Mas não dá pra falar de Abel Ferreira só tecnicamente. Sua passagem pelo Brasil tem lado A e lado B. E se misturam na mesma proporção.

Chegou ao clube paulista num momento de transformação administrativa e de investimentos. Uma cultura profissional tomou conta do clube e o colocou no patamar de liderança no país para uma sequência vitoriosa inquestionável. Abel chegou no momento certo de um projeto que o potencializou com seu conhecimento técnico e a vontade de fazer história no país do futebol. E a combinação foi perfeita.

Abel empilhou títulos, fez a nação alviverde se sentir orgulhosa como há muito não se via. Virou personagem, até mais do que técnico. O Palmeiras não encantou tanto com futebol, mas venceu pela disciplina e intensidade que o técnico conseguiu implantar na cabeça de jogadores brasileiros. Conseguiu gerir crises ao receber e perder jogadores, sempre com apoio da direção.

Mas algo também incomodou muito a mesma direção alviverde: o “jeito” Abel de ser à beira do gramado. As excessivas suspensões e a soberba no tratamento a jornalistas e rivais eram conhecidas, mas relevadas pelos resultados em campo. A mesma “passada de mão” que se dá a jogadores mimados foi dada a Abel. E a imprensa brasileira engole a arrogância e o distrato do português, que teima em não mudar a postura e reconhecer excessos.

Abel nunca teve na carreira o sucesso obtido no Brasil, e isso se tornou algo novo para ele. Não tinha a dimensão de pressão e cobranças na magnitude de um dos maiores clubes do país, no país do futebol. Como técnico, mostrou suas virtudes; como homem, segue mantendo o ego à frente.

O grande legado de um vencedor é o pacote completo, o que se faz como profissional e como homem. A grandeza de ideias e de postura marcam o verdadeiro campeão. Levantar troféus e apontar dedos o tempo todo não contam uma história exclusivamente vencedora. Abel já está na história do Palmeiras como técnico, precisa ficar também como um verdadeiro líder.

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