Konigstein, Alemanha - A cada Copa conquistada, as estrelas são mais numerosas e unidas sobre o escudo da CBF. A camisa da seleção é o principal astro que orienta uma grande família. Quem vai viver junto por quase dois meses, precisa zelar por um ambiente harmonioso como os mandamentos do comandante Parreira. Em um time cinco estrelas, cada uma das conquistas serve como lema para manter o time no rumo da sexta: identificação, caráter, respeito às diferenças, privacidade e lealdade. É assim que vai nascendo e se criando mais uma família durante uma Copa do Mundo. Parreira não gosta muito do termo família. Prefere a união.
''Os jogadores são estrelas nos seus clubes, mas quando vem para cá quem tem que brilhar é a seleção brasileira'', afirma com a convicção de quem já levou a seleção brasileira a conquista do título mundial de 1994.
Desta época até 2006 o tempo passou e algumas idéias evoluíram. A base se manteve. Assim, ao longo dos três anos e meio em que comandou a equipe antes do início da Copa do Mundo da Alemanha, Parreira encurtou caminho. O primeiro item para a construção de uma equipe unida é a identificação. Embora tenha convocado cerca de 70 jogadores neste período algumas vezes sendo obrigado a abrir mão dos jogadores que atuam na Europa , a base do grupo sempre foi mantida. Isto permite um convívio maior e a identificação entre os jogadores.
Todos passam a conhecer o seu pensamento, a sua linha de trabalho e como as coisas funcionam. Este é o ponto de partida. Diminuir o grupo de convocados e criar a identificação entre eles.
Quem parar para observar bem os convocados de Parreira vai observar que não existe nenhum tipo de bad-boy. Em 1994, Romário foi o principal jogador da Copa. Mas demorou a ser convocado e teve que se adaptar as regras do técnico que colocou o capitão Dunga como seu companheiro de quarto. Nunca houve uma restrição ao seu futebol, sempre enaltecido pelo treinador. Mas um bom comportamento é importante.
Este item inclusive, está virando uma norma na CBF. No time atual, todos os jogadores tem um perfil de bom comportamento e relacionamento. A opinião de alguns psicólogos ajuda em determinados pontos. São pequenos detalhes, mas importantes na construção de um grupo unido.
Congregação O respeito às diferenças de todos os tipos também é levado em consideração. Neste sentido, a parte religiosa também é um dado importante. Tudo é feito no sentido de se formar um grupo unido onde todos participem sem exclusão de sua religião, cor, etc. As atividades são feitas em grupo como uma pequena comunidade aberta em busca de uma congregação onde cada um ajude o outro.
Com isto a confiança de um no outro passa a aumentar. O grupo vai se formando e se fechando internamente em torno de um objetivo. O efeito externo é importante porque quem observa sente identidade e amizade entre eles.
Quem chega à seleção sabe que deve cumprir uma determinada rotina de trabalho. Ela implica não só nos treinamentos físicos, técnicos, coletivos, exames médicos, como em uma refeição controlada, horário de descanso, palestras, diversões com jogos de computador, horário de dormir, etc. Esta programação funciona como um relógio. Mas existe o lado da privacidade.
Liberdade e lealdade Dentro destas obrigações, Parreira procura dar o máximo de liberdade a cada um. Se vai fazer uma palestra tem o seu horário. A partir daí, o treinador procura deixar os jogadores a vontade. Não se mete com a programação deles. É o respeito à liberdade de cada um.
O último item, é referente às disputas pelas posições. É natural que todos queiram ser titulares, mas só 11 podem entrar em campo. Neste sentido, a lealdade é importante não só como um fator de confiança em que a disputa será apenas na bola, como é bom evitar as disputas desleais nos treinamentos. Quando todos querem mostrar serviço em excesso e o treino passa a ser quase uma guerra onde cada um quer defender apenas o seu espaço, o espírito de grupo fica prejudicado.
Quando a disputa é leal o grupo todo se entrosa mais rápido e o caminho para a formação de um time se forma mais fácil. É desta forma que, com um trabalho de formiguinha ao longo do tempo, Parreira vai construindo um grupo e formando uma seleção onde o brilho maior é o da doação. Todos dando o melhor de si individualmente em busca de um benefício coletivo que se traduz na palavra Brasil.

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