A ficha do pivô Caio Torres começa a cair agora. Ele jogou pouco no Pré-Olimpíco das Américas de Basquete - 7 minutos ao todo -, mas foi decisivo para recolocar o Brasil na Olimpíada de Londres após 16 anos de fastamento. Substituiu Tiago Splitter, que deixou a quadra carregado em faltas, na partida contra a República Dominicana, e com uma boa atuação, principalmente defensiva, ajudou a seleção brasileira a vencer e carimbar o passaporte para os Jogos de 2012.
''Agora que vou descansar um pouco que está começando a cair (a ficha). Parecia que a gente já sabia que iria conseguir'', disse o pivô de 24 anos e 2m11, que passa a semana que ganhou de folga na casa da família da esposa, em Cambé. ''O basquete é um jogo de equipe. Com um ou dois só não se ganha. Joguei pouco, mas estava com confiança de que quando entrasse iria bem'', completou.
O sorriso ainda é permanente no rosto do grandalhão. Impossível ser diferente. A medalha do vice-campeonato também é mostrada com orgulho. Há muito tempo o basquete não trazia uma alegria ao brasileiro. ''O apoio está maior, tem mais gente assistindo, apoiando'', apontou.
Torres começou a jogar no Volkswagen Basquete, em São Bernardo, aos 15 anos. Foi para o Pinheiros e, aos 17, embarcou para a Espanha. O Estudiantes, clube que o contratou, o emprestou ao Guadalajara, da terceira divisão. Voltou ao Brasil e atuou por quatro meses no Paulistano, antes de voltar ao clube espanhol. Foram quatro temporadas pelo Estudiantes. Passou pelo Meliá e, por último, defendeu o Vive, da ilha de Menorca.
Na segunda-feira, ele se apresenta ao Flamengo, seu novo clube, com quem assinou contrato por um ano. A crise que afeta a Europa chegou também ao basquete espanhol. ''Eu estava a fim de voltar e o campeonato está muito bom. Foi aí que surgiu o Flamengo'', contou o pivô integrou, que a seleção brasileira que foi campeã da Copa América em 2005 e dos Jogos Pan-Americanos 2007. Ele ainda estava no elenco da equipe que ficou em 17º no Mundial de 2006.
Polêmica
No time carioca, ele encontrará o ala-armador Leandrinho, um dos pivôs de uma polêmica na seleção brasileira. O jogador do Toronto Raptors e os pivôs Nenê e Anderson Varejão pediram dispensa. O atleta do Cleveland ainda se apresentou ao técnico Rubén Magnano com os exames que comprovavam sua lesão. Após a conquista da vaga, muita gente acha que os astros da NBA não devem ser chamados para a Olimpíada.
''Cada um tem sua vida e seus conceitos. Mágoa não ficou de ninguém. Aliás, para mim foi até melhor, porque fui convocado'', brincou o pivô, que poderia ter ficado de fora caso Nenê e Varejão tivessem ido à Argentina.
Nos próximos dias, Rubén Magnano fará a convocação para a disputa do Pan-Americano de Guadalajara. Como não é uma competição oficial da Fiba, o treinador dependerá da boa vontade dos clubes para contar com os atletas. Quem atua na Europa já está descartado, como, por exemplo, o armador Marcelinho Huertas, do Barcelona, que foi escolhido para a seleção do Pré-Olímpico.
Torres espera estar novamente na lista. Assim como na relação dos que vão para Londres. ''Claro que penso (na Olimpíada), mas vou focar no Flamengo e, quando chegar a época, focar nisso''.

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