A gente ganhava mais do que perdia
Ele estava lá nas duas glórias do clube e teve a ''honra'' de levantar as taças. O ex-lateral-direito e hoje comerciante Dirceu Funari, 71 anos, foi o capitão do Esporte Clube Comercial nas duas maiores conquistas da equipe: campeão invicto da região Norte do Paraná em 1958 e campeão paranaense em 1961. Hoje Funari é dono de uma loja de extintores e auto-peças no centro de Cornélio Procópio, cidade que escolheu para viver com a família.
A vontade de jogar futebol e a oportunidade de ficar perto da família, que era de Assis (SP), trouxeram Funari para o Comercial. Ele começou a carreira no Clube Atlético Assisense, em 1949. Quatro anos depois se transferiu para a Ferroviária, também de Assis. Mostrando um bom futebol, Funari despertou o interesse do Palmeiras, time do coração do jogador. Lá ficou por apenas seis meses e trocou o Verdão pela Macaca. Durante quase um ano ele permaneceu na Ponte Preta, onde conheceu o banco de reservas. ''Nunca tinha sido reserva, mas a Ponte tinha um outro lateral, que era de Campinas mesmo, e que jogava bem'', justifica.
Foi então que apareceu o Comercial na vida dele. Funari conta que veio visitar a família em Assis e um tio dele, que morava em Cornélio, disse que o time da cidade estava precisando de um lateral-direito. Em 54 ele trocou a Ponte pelo Comercial. ''Eu vim para ficar um mês e acabei ficando até hoje. Eu não me preocupava se o time era grande ou pequeno, o que importava é que eu fosse titular. O que eu queria era jogar e, além disso, tinha meu tio em Cornélio'', conta.
Na cidade, encontrou todas as suas alegrias no futebol. Chegou ao Comercial em 54 e só saiu em 69, quando o time se licenciou das competições, e viveu os anos dourados do clube. Com saudades, Funari lembra da época ''boa''. ''A gente ganhava mais do que perdia'', lembra.
O ex-jogador guarda com muito orgulho no escritório da sua loja a bola, de capotão, do último jogo do Campeonato Paranaense de 1961, com o nome de todos os jogadores que participaram da conquista e o resultado dos jogos do triangular que decidiu o torneio. Essa partida tem um gosto ainda mais especial para ele. ''Fiz um gol de pênalti'', comenta com um sorriso estampado no rosto.
O capitão do Comercial não era de marcar muitos gols. ''Naquela época o técnico não deixava os laterais subirem. A gente mal passava do meio de campo. Não era como agora. Por isso, os laterais não marcavam muitos gols'', revela.
Na parede da empresa, a história dele e do clube estão expostas lado a lado. Com muito orgulho mostra as fotos e lembra de dois jogos amistosos que marcaram a carreira. O primeiro foi entre uma seleção da cidade e a seleção brasileira de Show Bol, que tinha astros da época, como Jairzinho e Garrincha. O outro jogo reuniu um combinado de jogadores de Comercial e Nacional, de Rolândia, contra o todo poderoso Palmeiras, de Valdemar Fiúme e Jair da Rosa Pinto.
Funari lembra que recebeu um convite para jogar no Coritiba, mas não aceitou. ''Eu jogava bola e trabalhava no Banco Comercial do Paraná. Não queria perder o emprego e por isso não fui'', explica. Ele trabalhava para complementar o salário, o equivalente a R$ 1 mil, nos dias de hoje. ''Dava para viver só do futebol'', garante. O salário de bancário era o mesmo de jogador.
Segundo Funari, o que de mais valioso lhe rendeu a carreira de atleta foram as amizades. ''O time era unido. Não tinha essas briguinhas que tem hoje como o Edmundo e o Marcelinho, por exemplo'', observa. Ao ser questionado se tem saudade dessa época, o ex-jogador é taxativo: ''Ô, se tenho''. (T.M.)





