Por mais terrível que possa parecer a situação dos atletas araponguenses, para muitos, ela poderia ser ainda pior. ''Eu estava no São Vicente-SP e lá os caras reclamavam que tinha bisteca todo dia. Aqui (em Arapongas), a gente come arroz, feijão e ovo e dá graças a Deus'', contou o lateral-direito Milton.
Ele é um dos atletas que chegaram nos últimos dias para tentar levantar o time. Saiu de Santos para tentar a sorte no Paraná, sem salário e sem perspectivas. ''Ainda bem que tem pelo menos a comida'', comemorou.
No Litoral santista, Milton deixou a esposa e a filha. Aos 22 anos, já é pai de um menina de nove anos. ''Quando o pai dela (a esposa) ficou sabendo que estava grávida com 14 anos, veio com um facão para me abrir a cabeça'', relembrou, enquanto resumia sua triste história. ''Elas ficaram lá. Minha esposa trabalha e sustenta a casa e eu vim ver se consigo um clube pra jogar no futuro''.
Enquanto caminhava até a república, após o treinamento da manhã, não conseguiu segurar uma reclamação. ''Ai, está apertando o dedão'', disse, apontando para o pé que calçava um conga já com bastante tempo de uso. ''É ruim, mas enquanto ele resistir está bom'', conformou-se. (T.M.)

mockup