A Fórmula 1 do Skate
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de março de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Nas ladeiras mais íngremes e perigosas de Londrina, um grupo de 20 skatistas da cidade busca aliar adrenalina, velocidade e diversão. Com muita coragem (e até uma certa dose de loucura), eles praticam o downhill speed, conhecido como a ''Fórmula 1 do skate''. A ideia é simples: em cima de um skate especial, o objetivo é realizar as menores tomadas de tempo num percurso relativamente curto, muitas vezes com velocidades que ultrapassam os 100 km/h. Ontem, o pessoal se reuniu para algumas descidas na pista próxima ao Jardim Botânico e a FOLHA estava lá para conferir.
O cabeleireiro Douglas Figueiredo é um dos precursores do esporte em Londrina. Ex-morador de Maresias (SP), ele sentiu falta de um esporte que lembrasse o surf quando se mudou para o interior do Paraná, há sete anos. ''Começamos aqui com o freeride (modalidade do dowhill no qual o intuito são as manobras e não a velocidade) e depois implementamos o speed. De dois anos para cá, montamos a equipe Downhill Londrina (D.H.L), para realmente participar de campeonatos e profissionalizar o esporte'', explica Douglas.
No início, a galera só praticava em pistas fora da cidade, mas para que outros esportistas conhecessem o downhill speed, começou a treinar em locais de maior visibilidade, como o Jardim Botânico. ''O pessoal começou a aparecer e se interessar. Temos gente de todas as idades andando, só que o praticante já deve ter uma certa experiência e base de skate'' comenta o vendedor Marcos Carvalho, de 38 anos, que há mais de 20 anos anda de skate.
De fato, é preciso ter certa técnica e os equipamentos adequados para acelerar em cima do skate. Tanto o shape (prancha) quanto as rodas e os trucks (eixos) são diferenciados e ainda pouco comercializados no mercado nacional. Esse skate pode chegar a custar mais de R$ 1 mil (contra R$ 350 do comum), sem contar os materiais de segurança como capacete, luvas, joelheiras, cotoveleiras ou até um macacão especial de couro. ''Os tombos são comuns. É um esporte que para chegar na frente é preciso ter toda uma aerodinâmica'', avalia Marcos
Com a modalidade sendo difundida, o intuito é que sejam criados campeonatos aqui na cidade. Este ano, alguns atletas mais fortes do D.H.L pretendem participar do Campeonato Mundial, que será realizado na cidade de Teutônia (RS), em novembro, reunindo cerca de cem atletas de todo o Planeta. ''Se ficarmos entre os 40 primeiros já está excelente. Em 2012, a ideia é ficarmos entre os dez melhores. Temos atletas com muito potencial no Paraná'', relata Douglas.
O interessante é ver como o pessoal D.H.L é unido. Luis Claudio Gomes, 35, conheceu a modalidade há quatro meses e já levou os filhos Marlos, 14, para praticar, e Mellory, 8, para assistir. ''O que nos atrai é a adrenalina e a velocidade, além disso, é um ambiente bem saudável. Se deixar, a gente pratica todos os dias'', completa.


